Por Octacílio Barbosa

Campeão olímpico em Tóquio Paulinho recebe a Medalha Tiradentes na ALERJ

Paulinho esteve acompanhado de familiares e amigos, que encheram o Plenário da Alerj para prestigiar o atacante.
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Campeão olímpico com a Seleção Brasileira nos últimos Jogos de Tóquio, o jogador Paulinho recebeu na noite desta quarta-feira (15/6) a Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pelo Parlamento fluminense, em solenidade realizada no Plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A condecoração ao atacante do Bayer Leverkusen, da Alemanha, foi proposta pela deputada Renata Souza (Psol), e o início da cerimônia se deu com um minuto de silêncio em memória do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, brutalmente assassinados na Amazônia.

Na Olimpíada, em que marcou o gol da vitória sobre a seleção alemã, Paulinho – que foi revelado pelo Vasco da Gama – simulou disparar uma flecha em homenagem ao orixá Oxóssi, do candomblé. Em suas redes sociais, o jogador, de 21 anos, também é ativo influenciador contra a intolerância religiosa. E durante a cerimônia de entrega da medalha, ele repetiu o gesto com o qual se tornou mundialmente conhecido, em reverência às religiões de matriz africana, que, segundo ele, ainda sofrem preconceito em vários campos.

Paulinho esteve acompanhado de familiares e amigos, que encheram o Plenário da Alerj para prestigiar o atacante, que vem sendo um dos destaques do futebol brasileiro no futebol da Europa. “É uma grande honra para mim receber a Medalha Tiradentes nesta Casa. Agradeço de coração à deputada Renata Souza e a todos que me ajudaram ao longo da minha carreira para que eu pudesse estar aqui hoje”.

Ao lado da mãe, Ana Cristina, Paulinho lembrou de quando precisou se afastar dos campos por conta de uma lesão no joelho em 2020. Logo depois, veio a pandemia do coronavírus. “Naquele caos todo, sem poder ver uma grande parte da minha família, fiquei muito tempo sem vir ao Brasil. Fui saudar meu babalorixá, tinha que fazer uma fezinha, não é fácil. Sabia que a colocação ia sair numa quinta-feira de Oxossi, logo depois fiquei sabendo que a estreia das Olimpíadas também seria no ia dele. Minha mãe estava sempre me lembrando disso. Então, na estreia da seleção contra a Alemanha, fiz aquele gesto planejado, que significava muito para mim naquele momento”, contou.

Paulinho, no entanto, não imaginava tanta repercussão com aquele gesto na comemoração do gol. “Isso me surpreendeu muito positivamente. Muitas pessoas, famosas e não famosas, mandaram várias mensagens, agradecendo pelo meu gesto e se sentindo representadas. Acho que isso foi o maior prêmio que eu recebi até hoje. Toda vez que alguém me para na rua e fala que é do candomblé e da umbanda e que se sente representado pelo que eu fiz, isso me emociona muito. Só tenho que agradecer a essas pessoas, a esse povo do axé”, contou.

A deputada estadual Renata Souza destacou a coragem de Paulinho em usar sua representatividade como personalidade internacional em favor de uma causa que afeta milhares de pessoas no Brasil, em especial, na Baixada Fluminense, que detém a segunda maior concentração de terreiros de umbanda e candomblé no país, depois da Bahia. Ela também comentou que a Alerj criou o Observatório Mãe Beata de Yemanjá contra o Racismo Religioso e instituiu o Abril Verde para marcar as políticas públicas de combate ao racismo religioso no estado.

“O Paulinho vem tendo uma corajosa postura pública ao assumir sua crença, com personalidade, e usando sua imagem de craque do futebol para difundir a religião de matriz africana. Estamos fazendo uma justa e merecida homenagem a ele”, comentou a parlamentar.

A jornalista Flávia Oliveira, que torce pelo Vasco da Gama e é natural de Irajá, mesmo bairro onde nasceram Paulinho e seus pais, ficou emocionada ao falar do jogador. “Não há contradição em ser bem-sucedido, em prosperar. Você não hesitou em ser corajoso, em fazer o que é o certo. manter a ética e a dignidade. Não há contradição em se posicionar politicamente, em ser um cidadão que defende a integridade, a justiça e a democracia”, disse Flávia, que criou uma relação de tia e sobrinho com Paulinho.

Torcedor do Vasco, o vereador Tarcísio Motta (Psol) levou o filho Thomás à cerimônia na Alerj e aproveitou para entregar uma moção de congratulações ao homenageado. “O Paulinho faz parte da história do Vasco contra o racismo e dá voz a milhares de perseguidos por sua fé”, destacou.

Trajetória

Sobre sua trajetória de sucesso no futebol, onde começou aos 8 anos, ele agradeceu à família pelo suporte para que pudesse realizar seu sonho e resumiu o que sempre diz: “Nunca foi sorte, sempre foi Exu”. O jogador agradeceu a homenagem e a energia criada na Alerj com os diversos cânticos entoados ao som de atabaques.

Cria do Vasco, Paulo Henrique Sampaio Filho, mais conhecido como Paulinho, está no Bayer desde 2018 e sofreu uma grave lesão no joelho em 2020. De volta aos gramados, foi medalhista de ouro na Olimpíada de Tóquio, em 2021. Na atual temporada, ele atuou em 31 jogos com a camisa do seu time, tendo marcado quatro gols e feito três assistências. O clube ficou em terceiro lugar no Campeonato Alemão e conquistou uma vaga direta na próxima edição da Champions League.

Outra homenagem

O ator e modelo Demerson D´Alvari, que interpretou Exu na comissão de frente da escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, de Duque de Caxias, também recebeu uma moção de reconhecimento da deputada Renata Souza. “Sua interpretação, mesmo não sendo da religião, foi importante para a desmitificação da figura de Exu, que sempre foi demonizado. É um sinal de respeito aos fieis que sofrem com insultos, principalmente na Baixada”, comentou.

Demerson disse se sentir orgulhoso pelo reconhecimento na Alerj. “Para mim é motivo de orgulho estar aqui na Alerj”, disse ele, que há 15 anos interpreta personagens no carnaval. Apesar de não ser da religião, ele conta que foi lá e pediu permissão a Exu para representá-lo na Avenida. Sobre o racismo, Demerson contou que sua tataravó, que morreu aos 104, foi escrava e contava histórias do tempo de cativeiro. “A tal liberdade até hoje ainda não foi conquistada”, observou.

Também participaram da cerimônia Marcelo Carvalho, do Observatório Racial no Futebol; David Gomes, o Derê, consultor do Vasco para questões raciais; Mãe Meninazinha de Oxum, Yá Dolores Lima e a cantora Nina Rosa. Também vascaína, a cantora Tereza Cristina, que se recupera de Covid-19, gravou uma mensagem para o jogador, exibida pela TV Alerj, que transmitiu toda a cerimônia.

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