O programa Caminho da Reportagem desta quinta (29), às 21h45, na TV Brasil, revela que a quantidade de mulheres que atravessam oceanos para se refugiar no país aumentou bastante nos últimos anos.

A equipe da emissora pública mostra que nem tudo é alegria. Os jornalistas entrevistas mulheres de várias nacionalidades. Elas vieram do Haiti, do continente africano e até de regiões em conflito como Síria e Palestina. Através do depoimento dessas refugiadas é possível ter uma ideia do que significa deixar a vida como se conhecia, sem olhar para trás.

Ao chegar ao Brasil, elas enfrentam o choque cultural e se chocam com o modo de vida independente das mulheres brasileiras. Uma parcela significativa dessas estrangeiras fala duas línguas, têm curso superior, mas trabalham em subempregos. “Não tem guerra no Senegal. Mas também não tem trabalho. Aqui está melhor, os brasileiros nos ajudam muito”, declara Fátima Diouf, refugiada senegalesa.

Um dos motivos que leva a escolha do Brasil é a facilidade em se obter o visto. “Eu decidir vir para o Brasil porque todo mundo em Uganda só escolhe Inglaterra, Estados Unidos e Austrália. Eu queria descobrir coisas novas”, relata Price Winfred Narutweya, refugiada ugandense.

As mulheres não precisam falar nada para se saber que os turbantes, os vestidos super coloridos ou os véus discretos que cobrem o pescoço não são brasileiros. O tom da pele também é característico. São pessoas de mais de 80 nacionalidades, a maioria da África, Oriente Médio e Haiti.

Até 2012, a Cáritas que atende refugiados há 40 anos em São Paulo e no Rio, recebia no máximo dez por cento de mulheres solicitantes de refúgio. Nos últimos cinco anos, o cenário mudou: mais refugiadas chegam sozinhas ou com crianças, sem os companheiros, sem a família.

Segundo a organização humanitária, em 2017, houve um crescimento de 34% em relação aos últimos cinco anos. Entre essas mulheres, as grávidas também chamam a atenção. Elas preferem ter o filho fora do país que está em guerra ou numa disputa política entre tribos e salvar a própria vida.

A saudade dos parentes que ficaram para trás assola a realidade de muitas dessas mulheres. A dificuldade em se expressar em um novo idioma agrava o drama. “O mais difícil aqui foi a língua. Ninguém falava inglês e a gente não tinha internet pra conversar com a família na Síria”, recorda Salsabil Matouk, refugiada síria.

No Amparo Maternal, a enfermeira obstetra Karena Castro comemora tanta diversidade de cultura e sotaque. “Na hora do trabalho do parto, alguma coisa acontece que a gente se entende, elas cantam, emitem sons como se fossem uma oração de agradecimento” emociona-se.

Apesar dos motivos para sorrir, algumas refugiadas contam episódios de medo e intolerância que viveram nesse novo destino. “A vida de refugiada é difícil, mas de refugiada presa é pior. Agora quero recomeçar minha vida no Brasil”, explica a refugiada e ex-presidiária congolesa E., que não quis revelar o nome.

Já a angolana M., que também preferiu manter a identidade em sigilo, recorda uma situação de preconceito. “Um dia fui chamada de macaca por uma brasileira grávida que estava aqui comigo e meu bebê no Amparo Maternal. As outras moças disseram que ela não podia tratar ninguém assim. Foi a primeira vez que senti racismo por ser negra”.

Serviço

Caminhos da Reportagem – quinta-feira (29), às 21h45, na TV Brasil

Caminhos da Reportagem – domingo (1), às 20h, na TV Brasil

Fonte: Empresa Brasil de Comunicação | TV Brasil | Rádios Nacional e MEC