Para garantir maior adesão de pacientes ao tratamento da tuberculose, o Ministério da Saúde vai financiar uma pesquisa para adotar novo medicamento para tratar a doença. A nova apresentação do remédio Isoniazida, de 300mg, permitiria a redução de comprimidos e aumentaria a aderência à terapia. A estimativa é de que as pílulas cheguem em maio à rede pública. O estudo será desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo com apoio de pesquisadores externos nos estados do Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e no Distrito Federal.

Para a enfermeira Veleida Imbiriba, coordenadora dos Programas de Tuberculose e Hanseníase de Cabo Frio, a adesão total do paciente à terapia completa, que dura seis meses, seria o mais importante com a mudança no protocolo de tratamento. Segundo ela, são altas as taxas de retratamento devido ao abandono e ainda tem havido aumento no número de casos pelo país.

“Atualmente, a medicação de ataque que é feita nos dois primeiros meses de tratamento já traz uma melhora significativa para o paciente, mas não promove a cura. No entanto, ao ver um quadro melhor, o paciente tende a abandonar a terapia, ainda que receba todas as orientações na consulta de triagem. Por conta do abandono, o índice de retratamento é alto e mais difícil. Então, com a mudança na medicação a nossa expectativa é de que a adesão ao tratamento completo aumente e aí sim o paciente estará curado”, avaliou a enfermeira.

De acordo com o órgão federal, a distribuição vai começar pelos estados participantes da pesquisa. Para isso, a pasta adquiriu 5 mil caixas do produto, que correspondem a 2,5 milhões de comprimidos. O objetivo “é conhecer o processo de utilização do medicamento, bem como sua oferta em tempo oportuno pelos serviços de saúde”.

Conscientização para fazer o tratamento completo
No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado no último sábado (24), o Ministério da Saúde lançou a campanha “Tuberculose tem cura. Todos juntos contra a tuberculose”. A proposta é incentivar a adesão à terapia e reduzir a taxa de abandono.

Segundo o órgão, o Brasil conseguiu atingir as Metas dos Objetivos do Milênio (ODM) de combate à tuberculose com três anos de antecedência, mas em 2015 aderiu ao compromisso global de redução de 95% dos óbitos e 90% do coeficiente de incidência da doença até 2035.

Índices nacionais
Fonte: Ministério da Saúde

Em 2017 foram registrados 69,5 mil casos novos e 13.347 casos de retratamento (abandono ao tratamento) de tuberculose no Brasil. O coeficiente de incidência da doença foi de 33,5/100 mil habitantes e os estados com maior proporção de retratamentos foram Rio Grande do Sul (23,3%), Rondônia (19,9%) e Paraíba (19,5%).

O percentual de cura de casos novos foi de 73%, maior do que se comparado ao ano de 2015 (71.9%). Os estados do Acre (84,2%), São Paulo (81,6%) e Amapá (81,7%) alcançaram os maiores percentuais de cura no mesmo ano.

Em 2016 foram registrados 4.426 óbitos por tuberculose, resultando em um coeficiente de mortalidade igual a 2,1 óbitos/100 mil habitantes. Este índice apresentou queda média anual de 2% de 2007 a 2016. Em relação ao abandono, o percentual foi de 10,3%, duas vezes acima da meta preconizada pela Organização Mundial da Saúde (<5,0%).

Erradicação da tuberculose
Fonte: Ministério da Saúde

No ano passado, o Ministério da Saúde lançou o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública, que ratifica o compromisso com a Organização Mundial de Saúde (OMS) de reduzir a incidência da doença na população mundial, que hoje é de aproximadamente 100 casos para cada 100 mil habitantes.

A meta é chegar, até o ano de 2035, a menos de 10 casos por 100 mil habitantes. Juntamente com a redução da incidência, o Brasil também assume o compromisso de reduzir o coeficiente de mortalidade para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes

Fonte: Prefeitura de Cabo Frio