Burnout materno: quando as mães estão esgotadas

Fazendo um paralelo, nos Estados Unidos já se usa o termo Mommy Burnout, em português “esgotamento materno”, para se referir ao mesmo quadro de sintomas sentido pelas mães que vivenciam uma intensa rotina materna e doméstica.
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Você já ouviu falar em Síndrome de Burnout? Em inglês, o termo significa esgotamento, fadiga ao extremo, depressão e refere-se a um distúrbio psíquico marcado pela sensação de exaustão, tensão emocional e estresse crônico gerados pela dedicação excessiva ao trabalho.


Fazendo um paralelo, nos Estados Unidos já se usa o termo Mommy Burnout, em português “esgotamento materno”, para se referir ao mesmo quadro de sintomas sentido pelas mães que vivenciam uma intensa rotina materna e doméstica.

Com o Dia das Mães chegando, volta à evidência a necessidade de um olhar atento e acolhedor para a saúde mental dessas mulheres: Elaine Eufrásio, professora de Psicologia da Estácio, explica que mulheres têm mais chances de desenvolver transtornos psicológicos por causa de vulnerabilidades específicas como a exposição à traumas de gênero, violência doméstica e o fator social que traz a incumbência de cuidar dos filhos, do marido, da família, entre outros, somados à carreira e cuidados pessoais.


Diante dessa situação, Elaine, que também é especialista em Saúde da Família, recomenda manter um diálogo com o cônjuge e deixar claro que precisa de ajuda.
“A sociedade prega a mulher como Mulher Maravilha: boa mãe, profissional e esposa. Mas a mulher precisa entender seus sentimentos, e que tudo bem não dar conta às vezes, para diminuir a culpa e assim, buscar uma divisão das tarefas domésticas”.

Dados

De acordo com a segunda edição da pesquisa “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, divulgada em março pelo IBGE, mulheres dedicam quase o dobro do tempo que os homens em afazeres domésticos. Enquanto eles gastam em média 11 horas, elas chegam a passar cerca de 21,4 horas semanais varrendo, lavando e cozinhando.
Os dados da pesquisa do IBGE correspondem ao ano de 2019, mas em tempos de pandemia e de reclusão social, a maioria das mulheres acumulou ainda mais funções no dia a dia com mais horas ativas de trabalho no home office, trabalho doméstico e cuidados com os filhos, especialmente as crianças em aula à distância.
“Com o fechamento das escolas e o ensino remoto, por exemplo, ficou nítido esse fator social ao observarmos como o acompanhamento do estudo das crianças recaiu sobre as mulheres. Socialmente, elas são levadas a acreditar que precisam sempre tomar as responsabilidades domésticas para si, dar conta de tudo sozinhas, e somado ao trabalho externo, isso acaba pesando”, afirma a psicóloga.

Reforço da saúde mental

A rotina diária deve manter o equilíbrio entre corpo e mente. Por isso, é importante avaliar como está a alimentação, o tempo dedicado para a atividade física, a qualidade do sono, o momento do dia de desacelerar e dar atenção ao que traz prazer. Elaine chama isso de “recuperar a alegria”.
“É necessário tirarmos um momento do dia para fazer algo que não seja obrigação, repondo a alegria perdida diante de um cenário de pandemia que estamos vivenciando”.
A psicóloga recomenda momentos de lazer como ouvir uma música que goste, dançar, cantar, ler, buscar uma conexão espiritual.


“É muito subjetivo, mas diante das adversidades, é preciso buscar essa alegria para dar um novo significado ao que estamos passando em um período negativo”. afirma. Elaine lembra ainda a importância de, mesmo à distância, manter os relacionamentos sociais.
“Pode ser através de ligações, chamadas de vídeo, mensagens de texto. Nesse momento tão doméstico, a mulher deve lembrar que não é só esposa e mãe, ela também é filha e amiga”, encerra.

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