O centro de apoio montado para receber donativos enviados aos atingidos pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, não tem mais capacidade para estocar as doações. Até o sábado haviam chegado 27 toneladas de alimentos, mais de 700 cestas básicas prontas, duas toneladas de roupas, 11 toneladas de materiais de limpeza, mais de 150 mil litros de água e 870kg de ração animal.

Neste domingo, o centro funcionou até meio-dia. Durante a tarde, os voluntários continuarão a triagem de alimentos e roupas. O desafio, agora, é a organização do volume de donativos, afirma Douglas Sant’anna, especialista em logística de desastres. “Todos os locais estão abarrotados. Não temos capacidade de armazenamento. Estamos organizando esse fluxo, pois as doações foram muito maiores que a necessidade neste primeiro momento”, afirmou Douglas, que trabalha em Brumadinho cedido pela Prefeitura de Mariana, onde atuou na organização de donativos aos atingidos pela barragem da Samarco, há três anos.

A triagem exige tempo e esforço. Todos os alimentos que chegam tem a data de validade checada. Os sacos de roupas, que ocupam todo o espaço do teatro, são divididos entre masculino e feminino. Já foi solicitado à Vale a lavagem das roupas de bebês e infantis, para evitar contaminações. As garrafas e galões d’água estão nas duas quadras de esportes. 

O centro continua recebendo as doações que já estavam a caminho de Brumadinho. “Não é que encerramos ou não estamos recebemos. Estamos paralisados para a gente contabilizar e entender o impacto social. Temos vários perfis de atingidos: aqueles que foram para as casas de familiares, aqueles que estão nos hotéis e tenho aqueles que foram atingidos indiretamente. E precisamos analisar as demandas de cada um”

Equipes de voluntários foram deslocados para várias áreas de Brumadinho para entender as necessidades emergenciais. Os donativos chegam ao centro montado na quadra de esportes, no centro da cidade, e são repassados às unidades de pronto atendimento, que também estão abastecidos.

“O estado de emergência dura pelo menos três meses. Se eu tenho 750 cestas básicas, são todas para distribuir agora? Não. São 250 para agora, 250 para o mês que vem e 250 para o outro. Então, precisamos organizar, porque as pessoas que doam, voluntárias, vêm nesse primeiro momento. Desastre é processo e, não, evento”, afirma.

Mesmo a Defesa Civil Estadual informando que neste momento não é necessário o encaminhamento de novas doações, os donativos não param de chegar. Por meio de nota, a Defesa Civil Estadual e o Servas agradeceram o “empenho e a solidariedade do povo mineiro com o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, contudo neste momento não é necessário o encaminhamento de novas doações.” 

Fonte: EM GERAIS