Brasil está qualificado para mediar conflitos internacionais, avaliam debatedores

A sessão aconteceu a pedido do senador Eduardo Girão (Podemos-CE).
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Neutralidade internacional e histórico vinculado ao princípio de não intervenção, à igualdade jurídica e ao diálogo colocam o Brasil como nação credenciada para a mediação de conflitos. Foi assim que avaliaram os especialistas e os senadores que participaram, nesta sexta-feira (1º), da sessão temática sobre o papel do Brasil na intermediação de conflitos e na construção de uma cultura de paz.

A sessão aconteceu a pedido do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que manifestou preocupação de que a guerra entre Rússia e Ucrânia possa deflagrar um novo confronto mundial, com “consequências inimagináveis” e com o eventual uso de armas químicas. Ele ressaltou que o Brasil é referência internacional como país pacifista e citou como exemplo a convivência entre católicos, espíritas e evangélicos no país. O senador também reiterou o histórico brasileiro e a decisão de se colocar como país neutro no cenário do conflito no leste europeu.

— Creio que não temos o direito de nos acomodar como meros espectadores, mesmo sabendo que é um terreno delicado, minado, esse terreno de conflito entre países. Vamos esperar o melhor e vamos fazer a nossa parte para o melhor no que for possível — disse.

O Brasil e o Japão são os países que foram mais vezes eleitos para mandatos não permanentes no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). O Brasil está em seu 11º primeiro mandato no órgão. Para a chefe da Divisão de Nações Unidas do Ministério das Relações Exteriores, Viviane Rios Balbino, o compromisso histórico do país com a solução pacífica de controvérsias e o respeito ao direito internacional são credenciais no plano internacional, que aumentam ainda mais as responsabilidades “perante a paz e a segurança internacionais”.

Viviane destacou que o sucesso de negociações depende muito da apresentação do país em posição neutra, de seu histórico de ações de cooperação e iniciativas de acolhimento humanitário. Segundo ela, o Brasil tem trabalhado intensamente para se manter nesse posição.  

— Uma possível definição da cultura da paz é o conjunto de valores, atitudes e comportamentos que rejeitam a violência e previnem conflitos, atacando as causas profundas para resolver problemas por meio do diálogo e da negociação entre indivíduos, grupos e nações. Em sua atuação internacional, o Brasil está comprometido com a promoção da cultura da paz em âmbito global. Isso se dá, particularmente, na participação brasileira em fóruns internacionais, como a Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura], o Conselho de Direitos Humanos e a Assembleia Geral das Nações Unidas — explicou.

Especialista em mediação pela Universidade de Harvard, Akira Ninomiya salientou que a mediação não é algo que se pode usar em certo momento e “guardar na prateleira”, e sim deve ser entendida como um ato de construção e de continuidade, resgatando os valores humanos, repercutindo-os no âmbito da sociedade e os transformando em cultura.

— Ou somos mediadores ou não somos; ou adotamos isso enquanto filosofia de vida ou estamos nos enganando. E essa mediação que eu venho hoje defender dentro dessa proposta extraordinária é uma mediação que não se limita a buscar soluções para sintomas aparentes de conflitos; é compreender a raiz do conflito, é ressignificar na sua essência, porque, do contrário, ele vai voltar e voltar e voltar. Ressignificação.

Fonte: Agência Senado

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