As dores específicas causadas pela emoção

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No artigo passado, começamos a falar sobre o adoecer e hoje vamos esmiuçar esse conceito para perceber que ficar doente está intimamente ligado com a nossa habilidade de lidar com as nossas emoções e sentimentos, e que a manifestação dos sintomas é a consequência externa, um sinal, de que algo não vai bem há algum tempo, esses sintomas estão relacionados com a quebra dos seus limites em suportar e superar adversidades.

A saúde é um estado de equilíbrio dinâmico, ou seja, um ir e vir de polos extremos entre os diversos sistemas que compõem o ser. Qualquer alteração em um dos sistemas (psicológico, neurológico, endocrinológico ou imunológico), gera desequilíbrio em todo o corpo. O estresse continuado, ocasionado por um trauma não bem resolvido diminui as defesas do sistema imunológico propiciando o descontrole de neuro-transmissores cerebrais (entre eles a serotonina e a noradrenalina), que podem acarretar um dos sinais de depressão.

Não podemos esquecer que as alterações emocionais estão presentes, antes e durante o curso da patologia, e estas alterações emocionais se apresentam das mais diversas formas, que se prestarmos a atenção podemos perceber na fala e na postura do paciente que procura reabilitação, seja um sentimento de insegurança, retraimento social, dificuldade para expressar seus sentimentos sensibilidade afetiva muito aumentada, e capacidade de lidar com perdas e frustrações.

Desta forma, não se pode mais ignorar que a manifestação somática está interligada de maneira muito próxima a tentativa de manter o prazer, resgatar algo que se perdeu, que tem uma carga de medo da perda ou a tentativa de manutenção de algo em alguém que se quer para o futuro.

Claro que não se pode generalizar tudo ou dá rótulos para todo o sintoma que recebemos, porem sabemos, atualmente, que as pessoas mais propensas a desenvolver doenças em reação ao estresse provavelmente são aquelas cujos sistemas imunológicos estão fragilizados em decorrência da impossibilidade de lidarem com suas adversidades. Assim, não faz sentido apenas tentar resolver os problemas externos e não termos a consciência de que cada vez mais atestarmos que as maiorias dos adoecimentos do corpo é gerada por conflitos psíquicos. Com relação às dores de cabeça, garganta, peito, costas, abdominal, nas pernas e dores subjetivas (dores no corpo causadas, por exemplo, por depressão), sabemos que na maioria dos casos, decorrem diante dos conflitos psíquicos,  os sentimentos de impotência diante das adversidades, conflitos nas relações interpessoais e, tem uma carga emocional que precisa ser vista   inicialmente, na inspeção e na entrevista com o paciente e precisamos  fazer o diagnóstico diferencial para afastar-se os possíveis fatores externos, não psíquicos que poderiam causar tais tipos de dores, veja bem, isso diminui a chance da dor no terapeuta que se sente incapaz de melhorar o paciente.   

Transcrevo agora Joyce McDougall, onde ele fala que na realidade, todos nós tendemos a responder através de sintoma somático quando, em função de um traumatismo interno ou externo, o limiar de dor psíquica é ultrapassado, ou seja, todos temos, na expressão de uma “potencialidade psicossomática.” Ainda há a contribuição de Bion e Winnicott que refletem sobre os fenômenos do adoecimento psicossomático em que a potencialidade psicossomática é apenas a confirmação de que todo o conflito psíquico estabelece um contínuo em relação à esfera fisiológica, aliás Freud, já preconizava isto em 1900, quando afirmou que o cérebro é uma “efervescência” do corpo, e que toda atividade psíquica deriva de estimulação somática.

Os problemas graves surgem quando os afetos(sentimentos) são radicalmente expelidos da consciência, se tornando mascaras que se não conseguem expressão para serem entendidos são lançados no corpo, como cascas de proteção e a expressão psicossomática vem como substituta e manifesta no corpo como uma tentativa de declaração de que algo precisa ser resolvido. Nesses casos, o sintoma físico ocupa o lugar da dor psíquica. Essa máscara é tão sedimentada que podemos encontrar na nossa clinica um indivíduo psiquicamente anestesiado ou desinformado sobre o universo de seus afetos e que precisa apena de solução paliativa ou seja o alivio da dor física que fatalmente aparecera em outro local. Quantos de nós conhecemos pessoas que já fizeram cirurgias infinitas na coluna, bloqueios de dor sem sucesso? E qual a solução? bom isto terá que ser tema de nossa próxima conversa.


Sobre Noory Lisias

Noory Lisias é fisioterapeuta, formada na Universidade Católica de Petrópolis, Mestra em Psicologia, especialista em Análises de Sistemas Corporais e com pós-graduação em Neuroanatomia Funcional no Método Bobath de Estimulação Neurológica e no Método Kabat, atuando há mais de 25 anos tratando lesões neurológicas e psicossomáticas.

Além de diversas outras especializações como:

  • Barras de Access | Facelift e Corporal
  • Low Pressure Fitness | LPF
  • Método Maitland
  • Pilates
  • Reeducação Postural Global | RPG
  • Aparelho Genital Feminino
  • Programação Neurolinguística | PNL
  • Proprioceptive Neuromuscular Facilitation | PNF (Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva)

YouTube: NooryLisias
Facebook: noorylisiasfisio
Instagram: @noorylisias
Site: noorylisias.com.br
https://linktr.ee/noorylisias

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