Petrópolis, na Região Serrana do Estado do Rio, é o 18º município com o maior número de áreas de risco, totalizando 237, com aproximadamente 47.000 pessoas residindo em situação de vulnerabilidade. Considerando a média que cada família tem de 3 a 4 pessoas, esse cálculo pode chegar até 15.600 famílias convivendo com o risco diariamente.

Com as tragédias que aconteceram no município entre os anos de 2006 e 2013, principalmente no ano de 2011, o governo atual redobrou a atenção para locais que são mais propícios a acontecer desastre natural devido as chuvas, que segundo alguns especialistas, o próximo verão irá registrar um dos maiores índices pluviométricos da história.

  • Se estivéssemos começado a nos preparar para tragédias há pelo menos 20 anos, muitos desses casos seriam evitados. Petrópolis é uma cidade delicada, para isso estamos em um trabalho intensivo de conscientização para que tragédias como as que já aconteceram possam ser evitadas – declarou o Prefeito Bernardo Rossi, do MDB.

De acordo com o Secretário de Defesa Civil e Ações Voluntários, Paulo Renato Vaz, a Cidade Imperial pode ganhar o prêmio resiliência reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela facilidade na superação de desastres naturais. Ainda segundo Paulo Vaz, os japoneses realizaram um estudo no Brasil onde aponta três cidades com maior risco, sendo elas: Nova Friburgo, também na Região Serrana, Petrópolis e Blumenau, em Santa Catarina.

  • Temos que ficar atentos e conscientizar a população. A barreira é o final de tudo isso, o trabalho começa na prevenção. Estamos agora com o programa ‘Defesa Civil nas escolas’, com o objetivo de ensinar os jovens, mas também conseguir locais de apoio para pessoas que possam vir a sofrer com as chuvas – comentou o Secretário.

As secretarias de Defesa Civil e Ações Voluntárias, juntamente a de Obras, do Meio-Ambiente, de Assistência Social e de Desenvolvimento e Planejamento deverão trabalhar integradas nas ações para prevenir e solucionar quaisquer problemas que possam acontecer nas áreas de maior vulnerabilidade, por conta da intensidade das chuvas deste verão.

Cachorros também estão sendo adestrados para ajudar em casos de resgate. Quem os treina é o Grupamento de Operações Especiais com cães, setor K-9. O adestrador contou que “as raças Labrador Retriver e Pastor Belga Malinoa são especializadas em resgate”.

Em contrapartida, a Presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família, Dra. Priscila Braga que também é advogada e Diretora da OAB, disse que é preciso mais fiscalização para que habitações parem de ser construídas nas encostas e aproveitou a oportunidade para alertar as pessoas sobre a possibilidade de fazer denúncias de casos irregulares diretamente ao Ministério Público.

  • O IBDFAM procura parcerias para ser mais atuante em causas populares. A OAB já participa dos conselhos municipais para cobrar o comportamento correto da gestão. O Instituto era mais ativo nas capitais, agora que está chegando ao interior. A OAB e o IBDFAM podem orientar, mas o Ministério Público é quem pode ser a fonte de escape das pessoas que não aceitam conviver com o risco ao seu redor – disse a Dra. Priscila Braga.

Programas sociais criados pelo atual governo petropolitano estão sendo usados como referência em cidades como Niterói. Unidades habitacionais também estão sendo construídas com direcionamento para pessoas que sofreram com catástrofes, além do PAC das encostas ser recuperado e o número de sirenes aumentado sem auxílio da ALERJ.

Mas a dúvida que fica é: Será que Petrópolis está a salvo?

Por: Gabriel Malheiros

Crédito da foto: Alan Melo - Giro Serra | Ocorrido no Caxambú em Março deste ano