Os desmontes nas políticas públicas de Cultura fazem parte da prática do governo Bernardo Rossi. Desde o início não foram poucos os ataques ao segmento: a extinção da Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis, o não cumprimento da lei do Fundo Municipal de Cultura, e consequente fim dos projetos financiados pelo mesmo, o desrespeito com as deliberações do conselho municipal e o desleixo com patrimônios históricos: como o Centro de Cultural Raul de Leoni e com obras do tamanho do Painel de Djanira. É claro que tanta incompetência e má fé também atingiriam artistas e produtores!

Vítimas de constantes calotes, evento após o evento, os trabalhadores e as trabalhadoras da Cultura acumulam promessas e repasses de responsabilidades. Tudo começou com a gestão passada do tal Instituto Municipal de Cultura e Esportes – nome fantasia para uma secretaria municipal emparelhada, corrupta e burocratizada – que em eventos tradicionais como Bauernfest, Serra Serata, Natal Imperial, entre outras ações, contratava apresentações artísticas quase sempre de forma ilegal, não cumprindo os pagamentos. Leonardo Randolfo, ex-secretário e showman, usou e abusou da estrutura pública para interesse próprio, fato que o faz ser inquirido na CPI do Natal Imperial na Câmara Municipal de Petrópolis. Enquanto a atual gestão, que já chegou inviabilizando o Carnaval, joga a culpa no passado fingindo que ninguém ali participou dos fatos investigados.

Triste é saber que tais acontecimentos não chegam ao conhecimento dos turistas, ou até mesmo de muitos petropolitanos, sendo todos ofuscados pelas luzes superfaturadas que enfeitavam palcos e barracas reaproveitadas, porém inúmeras vezes pagas, nas festas tradicionais que deveriam trazer receitas extras e não tantas despesas irreais aos cofres públicos.

Infelizmente, por mais que a imprensa divulgue constantemente os calotes contra os artistas, tais problemas se juntam às documentações falsas nas contratações da Cultura, às praças esvaziadas por choques de ordem na cidade da corrupção e das ruas esburacadas, às mentiras de um governo inoperante e à crise política que o time Bernardo Rossi causam para Petrópolis. Espero que o petropolitano aprenda a lição: a direita almofadinha olha com desdém os artistas populares, assim como faz com professores, servidores, moradores de bairros afastados e todos aqueles que não fazem parte de seus negócios. Fora Rossi!

Yuri Moura 
Professor, Gestor Público e 3º colocado nas eleições para prefeito de Petrópolis