Objetos ajudam a mostrar a forma como viviam as famílias dos colonos que trabalharam na construção da cidade

Aos 74 anos, o aposentado Hilário Plum, descendente de colono alemão, lembra com carinho dos deliciosos pratos feitos pela avó quando criança. O pastel era um deles, que a dona de casa preparava de forma caseira e abria a massa com a ajuda de um pesado rolo feito de madeira. Ou então o toucinho, que ela usava uma espécie de duas tábuas juntas para espremer e tirar a banha. Simples objetos como os manuseados por ela, utensílios domésticos, guardados até hoje por tantas famílias petropolitanas, são verdadeiros tesouros que nos ajudam a entender melhor a história, a cultura e a forma como viviam nossos antepassados. Cidade de descendentes de colonos, utensílios domésticos e de trabalho ou mesmo documentos e fotografias contam não só a história de uma família, como a história do próprio município.

E depois de atravessar gerações, o neto da dona Elisa Coreem Shmidth e filho da tecelã Catharina Carolina Plum, resolveu dar outro destino para os utensílios de sua avó e de sua mãe. Esses e outros objetos, que somam 33 peças no total, foram doados ao Museu Casa do Colono e vão ajudar a perpetuar os costumes de outras épocas. Entre os objetos estão não só as relíquias de sua família como outros que ele foi adquirindo ao longo da vida, através de brechós, antiquários, doação de amigos ou até encontrados no lixo.

“Só eu na minha família que me interesso por esses objetos, então se depois eles forem pro lixo a história acaba. E no museu os objetos vão perpetuar a história. Meu nome vai estar lá”, explica Hilário, que ainda lembra, através dos objetivos, da vida simples levada pela família. “A gente morava em uma casa de pau a pique, minha mãe até gostava mais dela do que a que meu pai construiu, de concreto. Lembro da minha avó fazendo pastel e várias receitas alemãs, como a cuca, o pão, o assado no forno. Era uma vida difícil, mas boa”, completa.

Entre os objetos que agora fazem parte do acervo do museu, além do rolo de massa e do espremedor de toucinho, estão panelas de ferro, travessas, maquinas de moer carne e grãos, tábua de lavar roupa – que as mulheres usavam na beira dos rios, ferro de passar que utilizava brasa, lampiões, lamparinas, além de objetos de trabalho da época.

“Esses, por exemplo, retratam as profissões, e os utensílios domésticos mostram os hábitos das pessoas no século 19”, explica a museóloga Ana Carolina Vieira, que foi até a casa do aposentado para verificar e catalogar as peças. “Elas vão passar agora por uma documentação museológica, pelo processo de pesquisa, de higienização e a restauração se necessária. Mas a maioria das peças está em bom estado de conservação. Então seriam a princípio higienização e pequenos reparos. Assim que catalogadas e inventariadas as peças vão fazer parte do acervo permanente na Casa do Colono na exposição de longa duração”, completa.

Hilário chegou até o museu através de representantes do Segmento Germânico na cidade: Elisabeth Graebner, que é representante em Petrópolis da Fecab, Federação dos Centros de Cultura Alemã do Brasil, e Marcos Carneiro, da Associação dos Grupos Folclóricos Alemãs de Petrópolis, Agfap.

Museu tem campanha para doação de objetos

Museus mundo afora contam com coleções que, muitas vezes, faziam parte de um acervo pessoal e que junto com outros documentos contam cada vez mais histórias. E é por isso que o Museu Casa do Colono promove uma campanha permanente: “Você faz parte dessa história”, que tem como função fazer com que esse acervo doado esteja disponível para a pesquisa, para a cultura e acesso de toda a sociedade. O objetivo da ação é captar documentos e coleções pessoais, como cartas, livros, álbuns, utensílios domésticos e de trabalho industrial e agrícola, brinquedos, mobiliário, fotografias, acessórios femininos e masculinos, e histórias de vida que representem a imigração germânica na cidade.

“O Museu Casa do Colono é uma jóia do nosso município e a gente fica muito feliz quando os moradores demonstram esse sentimento de pertencimento, porque, afinal, é um patrimônio de todos”, frisa o prefeito Bernardo Rossi. “Ele é uma casa-museu e nos mostra como era a vida dos colonos quando chegaram em Petrópolis. Uma história que muitas famílias podem ajudar a contar, porque muitas até hoje preservam as tradições e alguns costumes daquela época”, completa o diretor-presidente do Instituto Municipal de Cultura e Esportes (IMCE), Marcelo Florencio.

O Museu Casa do Colono fica na Rua Cristóvão Colombo, 1.034, na Castelânea. A visitação funciona de terça a domingo, das 8h30 às 16h, com entrada gratuita. Mais informações no telefone: (24) 2247-3715, ou e-mail: casadocolonomuseu@gmail.com.