Desenvolvida desde agosto de 2016 na região da Baía da Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, a Iniciativa BIG 2050 teve mais uma etapa concluída na última terça-feira, 16 de janeiro. Empreendedores da região, que receberam capacitação e aporte financeiro ao longo do último ano para implementação e execução de seus projetos, estiveram reunidos com os mentores do programa no Hotel Angra Beach Inn, em Angra dos Reis, para participar do workshop de encerramento do último ciclo da Iniciativa.

O evento teve como objetivo principal avaliar a evolução da implementação das soluções propostas, além de identificar e analisar abordagens e técnicas que foram bem-sucedidas – e também quais não obtiveram sucesso – de acordo com a percepção dos avaliadores. Os especialistas avaliaram as principais atividades realizadas no período e enfatizaram tópicos importantes em relação ao uso dos recursos, dificuldades e oportunidades identificadas em cada segmento de atuação.

Baseada em um sistema de monitoramento ambiental (Radar BIG) e um programa pioneiro de aceleração de ideias, projetos e empreendimentos de impacto (Desafio BIG), a Iniciativa BIG 2050 é um mecanismo de incentivo voltado à gestão integrada de ecossistemas. A partir do monitoramento da saúde ambiental da Baía da Ilha Grande, identifica sensibilidades e lança desafios para que a sociedade apresente soluções criativas que promovam sua conservação.

A Iniciativa é desenvolvida em parceria entre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (ONU-FAO), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Fundação CERTI. Para criar o programa, o Inea e a FAO se basearam na atuação de quatro anos do Projeto Gestão Integrada do Ecossistema da Baía da Ilha Grande, pensando no estabelecimento de uma iniciativa de longo prazo, que prevê a sustentabilidade financeira de suas ações, com projeção ao ano 2050 – ano de referência para diferentes organizações mundiais em se tratando de assuntos críticos à população mundial, como aquecimento global e crescimento populacional. Para saber mais, acesse http://www.big2050.org/.

 

Empreendedorismo sustentável na Baía da Ilha Grande

A proposta do Desafio BIG é incentivar projetos de empreendedores na região da Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, que possam contribuir para a preservação do ambiente e, ao mesmo tempo, influenciar a economia local. Ao longo do segundo semestre de 2017, os idealizadores das soluções receberam consultorias de especialistas para o aperfeiçoamento de seus empreendimentos e foram capacitados em diversas frentes de atuação. Ao final, foram selecionadas 13 propostas — entre 160 inscritas — que receberam cerca de R$ 50 mil cada para implementação e execução, além de mentorias e acesso à rede de parceiros.

Entre as propostas selecionadas, destacam-se ações que influenciam a região em diversas esferas. Uma delas pretende combater o problema da poluição das águas pelos hidrocarbonetos, por meio do desenvolvimento de um equipamento capaz de separar o óleo presente nas águas de porão das embarcações.

Outro empreendimento de destaque fomenta o cultivo e a utilização da macroalga da espécie Kappaphycus alvarezii na região, a fim de contribuir para manutenção da biodiversidade local e ainda gerar negócio, emprego e renda a partir da produção e comercialização de produtos (alimentos, bebidas e cosméticos) que utilizem a macroalga in natura como principal matéria-prima.  Para a empreendedora Livia Galdino, o processo de aceleração durante o Desafio BIG 2050 representou uma nova perspectiva no negócio. “O Desafio abriu minha mente sobre as possibilidades do meu empreendimento e me mostrou caminhos possíveis para que ele realmente promova um impacto positiva sobre a nossa Baía da Ilha Grande”, destaca.

O turismo, uma das principais atividades econômicas da região, também foi contemplado com a criação de um negócio de valor compartilhado para promover vivências relacionadas ao ambiente marinho. Foi estruturado e implementado um modelo de visitação que tem como base roteiros ecoturísticos e serviços de apoio, realizados dentro das normas sustentáveis e das boas práticas ambientais.  Outra atividade fundamental para a economia local, a maricultura foi abordada em uma proposta criada para desenvolver um modelo de gestão socioeconômica da atividade, orientando maricultores quanto às práticas de manejo e levantando dados necessários para subsidiar a análise de possíveis impactos ambientais negativos.

“O nosso objetivo maior é incentivar uma cultura de protagonismo construtivo, na qual empreendedores sociais tenham a oportunidade de inovar e fazer a diferença apresentando soluções para as reais necessidades de sua região”, ressalta o Diretor do Centro de Economia Verde da Fundação CERTI, Marcos Da-Ré.

Crédito da foto: Fabio Takashi