Confronto decisivo  

Não há dúvidas de que os novos eleitos terão uma missão grande e difícil pela frente. Recuperação da economia, volta do emprego, extinção da violência, entre outros assuntos importantes que estão em pauta. Nesse período eleitoral, as mídias sociais foram contaminadas por fake news, discussões e pouca empatia. Pela primeira vez tivemos uma eleição com pouca proposta dita e muita acusação feita.

Desde o início, Jair Messias Bolsonaro já se mostrava forte, com seu discurso contra a corrupção e violência, aproveitando da desconfiança política atual para crescer nas pesquisas e alcançar o triunfo neste domingo, que ficará marcado na história. Por outro lado, Luiz Inácio Lula da Silva tentava participar da corrida, pedindo ajuda até a ONU, mas tendo pedido negado pelo STF. A partir daí, Fernando Haddad assumiu e tentou a todo instante recuperar a confiança dos desacreditados no Partido dos Trabalhadores.

Bolsonaro foi questionado por seus discursos, ganhando rótulos e apesar dos seus 28 anos de carreira política, foi pouco contestado por seus projetos aprovados e por suas votações. Não que ele não tenha respondido sobre isso, porém teve que responder mais sobre questões ideológicas a assuntos sobre suas propostas. Haja visto que a partir do atentado que sofreu em Juiz de Fora, Minas Gerais, ele não foi a nenhum debate, se comunicando com seus eleitores exclusivamente por suas páginas na web.

Em contrapartida, Haddad que defende a chamada esquerda, esteve com seu discurso politicamente correto, apresentou propostas e chamou a responsabilidade para si após o resultado do 1º turno. Muitas pessoas associaram sua candidatura ao ex-presidente Lula, mas não poderia ter sido diferente, seria difícil ganhar essa batalha com tantas desconfianças ao seu redor. Professor, bacharel em Direito e mestre em Economia, o ex-prefeito teve como alvo a revogação de reformas aprovadas após o impeachment.

Corrida presidencial

Fugindo um pouco do confronto final, muitas idéias liberais vieram à tona neste período como a privatização de alguns serviços públicos, PETROBRÁS, regulamentação das drogas e do porte de arma como legítima defesa, reformas e alianças.

João Amoedo, do partido NOVO, destacou o liberalismo na área econômica para a recuperação do Estado e volta ao verde nas contas brasileiras. O ex-presidenciável conquistou pouco mais de 5% dos votos válidos e se demonstrou satisfeito com o resultado por ser sua primeira eleição disputada. Ele disse que o trabalho está sendo feito para que seu nome esteja mais forte em 2022.

O Deputado Federal, Cabo Daciolo, ficou conhecido por seu jargão, “Glória a Deus”, nos debates em TV aberta. Daciolo fez duras críticas ao PT, a Jair, Geraldo Alckimin e chegou a dizer até que tinha certeza de que seria o novo Presidente da República. Marina mais uma vez não conseguiu uma votação satisfatória e assim como Boulos, apoiou a candidatura de Haddad no 2º turno.

Havia uma expectativa de virada pela cúpula do Partido dos Trabalhadores, mas o favoritismo de Bolsonaro foi confirmado após a primeira parcial ser divulgada, às 19h de ontem (28). Paulo Guedes, que será o novo Ministro da Fazenda já deu declarações falando que é preciso reduzir o Estado, com isso diminuiria o número de funcionários e concursos públicos, também aproveitou para destacar a Reforma da Previdência como “essencial neste momento.”

O atual presidente, Michel Temer, disse em coletiva que a transição já começou e se colocou a disposição do novo Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

Principais propostas do novo Presidente da República 

Segurança e direitos humanos: à favor da diminuição da maioridade penal para 16 anos, defende o porte armas como legítima defesa e é contra a regulamentação das drogas.

Economia: defende a privatização de estatais ou até a extinção das mesmas, criar uma alíquota única de 20% no Imposto de Renda, sendo válida para quem recebe acima de 5 salários mínimos e pretende criar uma renda mínima para todas as famílias em um valor acima do atual Bolsa Família.

Saúde: adotar o chamado Prontuário Eletrônico Nacional Interligado em postos, ambulatórios e hospitais para reduzir os custos ao facilitar o atendimento futuro por outros médicos em diferentes unidades de saúde.

Meio Ambiente e Agricultura: pretende juntar os ministérios e facilitar o desenvolvimento do agronegócio no Brasil.

Educação: defende o ensino à distância desde o Ensino Fundamental, facilitando a disseminação de conhecimento para quem mora na área rural.

Ciência e tecnologia: defende o fomento de “hubs” tecnológicos nos quais universidades se aliam à iniciativa privada “para transformar ideias em produtos”, além de propôr o desenvolvimento da energia renovável no Nordeste.

Relações internacionais: fomentar o comércio exterior com países que possam agregar valor econômico e tecnológico ao Brasil, como os Estados Unidos. Prevê também alianças com países latino-americanos que estejam livres da ditadura e não tenham viés ideológico.

Por: Gabriel Malheiros