Foto: Divulgação

Academia Petropolitana de Letras: mulheres bem-vindas desde 1922

Nair de Teffé, a ex-primeira-dama do Brasil, também foi líder da instituição.
Compartilhe
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no twitter

Uma das mais antigas academias de literatura do país, a Academia Petropolitana de Letras – APL, foi uma das primeiras instituições que permitiu a admissão de trabalhos literários de escritoras, poetisas e principalmente de professoras como, Germana Gouveia, que além de escritora foi professora de literatura do Colégio Estadual Dom Pedro II – CENIP. Além disso, a Academia abriga parte da história, da escritora e caricaturista, Nair de Teffé, uma das mulheres mais influentes do Brasil, e que liderou a APL, no período de 1928 a 1932.

O atual diretor da APL, Leandro Garcia, explica a importância das atividades que a presidenta Nair de Teffé, realizou para a academia: “A primeira coisa que ela fez foi a mudança do nome da entidade, porque a APL em 1922, não é fundada como Academia Petropolitana de Letras e sim, como Associação de Ciências e Letras. A Nair, quando toma posse decide mudar de Associação para Academia, porque naquela época em termos de hierarquia era muito mais importante uma academia do que uma associação. Do ponto de vista cultural, as academias têm uma importância muito maior do que se tem hoje, isso porque, havia uma importância que se dava ao conhecimento acadêmico e ao conhecimento produzido dentro das academias, mesmo porque naquela época havia uma carência de instituições culturais, sendo poucas escolas e quase nenhuma universidade. Essas academias também tinham e têm até hoje o papel de promoção de fermento de cultura e de ensino.” Com a gestão feminina da APL, Nair de Teffé trouxe grande influência para que outras mulheres ingressassem na academia. “Muitas das vezes essa eleição era decidida por um homem, cuja mulher era concorrente por igual com outro homem”, conta Leandro.

Todas essas mulheres tiveram um papel fundamental dentro da história, isso porque, a experiência feminina nas academias foi revolucionária, já que o discurso, ótica e narração da historiografia sempre fora masculino, isto é, escrito, realizado e pensado pelo filtro ideológico do homem.  Muitas delas tiveram poemas e livros publicados, contudo, circulavam somente na cidade petropolitana, na qual, a Editora Vozes já se destacava como uma das mais importantes gráficas e editoras do país.

Atualmente, ainda há mulheres que agregam grande valor à academia, como a confreira da APL e desembargadora, Andréa Pachá, que teve a obra “A vida não é justa”, convertida em uma série apresentada no Fantástico da Tv Globo intitulada como “Segredos de Justiça”, em 2016.

A Academia Petropolitana de Letras tem 99 anos e sua sede social é na casa Claudio de Souza, próximo à Praça da Liberdade. A APL realiza eventos sociais e culturais, todos abertos ao público, visando o acesso democrático à cultura. Durante este ano e o ano de 2022, a Academia pretende realizar atividades, voltadas para o centenário que será comemorado em 3 de agosto de 2022.

Compartilhe
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no pinterest
Pinterest
Compartilhar no twitter
Twitter

veja também

Comentários estão fechados.