O caso de duas gestantes assistidas pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) reflete bem o que vem acontecendo na maternidade do Hospital Alcides Carneiro (HAC) em relação aos serviços prestados à população. Em trabalho de parto e com muitas dores, as pacientes só conseguiram ser atendidas após conseguir liminar da justiça.

Para que isso não mais aconteça, a ação de autoria da Defensoria e do Ministério Público estadual (MPRJ) requer à Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de Petrópolis que o Município e o Serviço Social Autônomo do Alcides Carneiro (Sehac) providenciem com urgência, a contratação de pelo menos 20 leitos em hospitais particulares, já que hoje o atendimento pelo SUS é realizado somente na maternidade em questão.

A ideia é que os leitos estejam disponíveis à população, durante 24 horas por dia, em unidades privadas como a Sociedade Médico Hospitalar Beneficiência Portuguesa (SMH); o Hospital Santa Teresa e o Hospital Unimed. A ação também requer a contratação de médicos especializados em ultrassonografia, em quantidade suficiente ao atendimento da demanda, para que assim o exame possa ser oferecido às pacientes diariamente.

As instituições atuam ainda pelo afastamento dos diretores do Hospital Municipal Alcides Carneiro e de sua maternidade por causa dos problemas identificados na unidade, onde também foram observados casos de pacientes atendidas em macas improvisadas nos corredores ou em leitos destinados à ginecologia, além da morte de dois bebês e de um feto em circunstâncias ainda não esclarecidas.

– Embora algumas recomendações tenham sido feitas aos réus, somente uma foi atendida e por isso não houve alternativa senão o ajuizamento de Ação Civil Pública. Com isso, esperamos a melhora do serviço para que as gestantes possam ser atendidas com segurança e dignidade – destacou a defensora pública Andréa Carius de Sá, que também assina a Ação Civil Pública.

Por: Gabriel Malheiros

Fonte: Defensoria RJ