A base e o futuro: Copinha celebra 50 anos cheia de vigor para revelar novos talentos do futebol brasileiro

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São Paulo e Vasco da Gama reeditaram final de 1992, quando a equipe cruz-maltina se sagrou campeã da competição

Na última sexta-feira, 25 de janeiro, houve o desfecho da 50ª Copa São Paulo de Futebol Júnior, no Estádio do Pacaembu. São Paulo e Vasco da Gama reeditaram nesta final, confronto decisivo de 1992, quando o cruz-maltino se sagrou campeão da Copinha vencendo o tricolor paulista por 5 a 3 nos pênaltis, depois de empatar por 1 a 1 no tempo normal.

O Vasco naquela ocasião estava embalado, haja vista uma sequência de triunfos na Taça BH e também no Campeonato Carioca. O troféu da Copa SP serviu para fortalecer nomes de alguns talentos da década de 90, como Valdir (autor do gol no tempo normal pelo cruz-maltino) e o volante Leonardo Ávila. Pelo lado da equipe tricolor estavam Doriva, atualmente técnico de futebol, e o zagueiro Sérgio Baresi.

Entretanto, 27 anos depois as duas equipes viveram momentos semelhantes aos vivenciados em 1992. Muita empolgação com uma dose de nervosismo tomaram conta dos dois times, que chegaram ao confronto final após passarem por caminhos parecidos para levantar o troféu.

O tricolor paulista passou em segundo no seu grupo, após duas vitórias e um empate. No ‘mata-mata’, o tricolor encontrou mais dificuldades contra o Cruzeiro nas quartas de final. O jogo terminou empatado e assim como na final, o goleiro Thiago Couto defendeu duas cobranças, assegurando a vaga do São Paulo na semifinal contra o Guarani, quando a equipe goleou por 5 a 2 sem dificuldades.

O cruz-maltino teve o mesmo aproveitamento que os tricolores na fase de grupos, com uma única diferença: ter terminado em primeiro do seu grupo. Até as quartas o Vasco chegou sem sufoco com três goleadas seguidas, mas contra o Volta Redonda e o Corinthians na semi, dois empates e duas decisões nos pênaltis.

As duas equipes permaneceram invictas até a final, onde mesmo assim ninguém saiu perdedor no tempo regulamentar.

Crédito da foto: Ale Vianna

Final em alto nível 

Antony, número 7 e Gabriel Novaes, número 9, estavam entrosados e dispostos a sangrarem pelo manto são paulino. Antony com apenas 18 anos demonstrou muita personalidade com seus dribles rápidos, jogadas individuais e passes longos para dentro da área, quando tentava encontrar seu companheiro Gabriel na marca do pênalti.

O goleiro tricolor também é destaque deste time campeão. Thiago Couto fechou o gol em várias oportunidades, sendo destaque na disputa de pênaltis que sacramentou o campeão.

Crédito da foto: Rubens Chiri

Pelo lado do Vasco, Lucas Santos camisa 10 e capitão até que tentou mostrar seu futebol na final, mas a defesa do São Paulo estava muito bem postada, fazendo com que o cruz-maltino não conseguisse desenvolver suas jogadas.

Melhor durante o primeiro tempo, o tricolor abriu dois gols de vantagem com Gabriel Novaes recebendo cruzamento na medida de Antony. Logo depois o camisa 7 ainda entortou a ‘zaga’ e tirou do goleiro para fazer um golaço. O time do Morumbi por sua vez teve queda de rendimento na segunda metade da partida e viu o Vasco diminuir com o ’10 e faixa’, Lucas Santos em bela cobrança de falta. Aos 38 do 2º tempo, Tiago Reis de forma heroica empatou o confronto, levando a decisão para os pênaltis.

Era tudo ou nada e foi ai que o goleiro Thiago Couto se destacou, defendo as cobranças de Tiago Reis e Riquelme, ambos do Vasco. As duas equipes cobraram as penalidades quatro vezes cada, mas pelo lado vascaíno foram três desperdiçadas enquanto o tricolor desperdiçou apenas uma. A disputa terminou em 3 a 1 para o São Paulo, que conquista o tetracampeonato da Copa São Paulo de Futebol Júnior. 

 Jovens prodígios podem surgir no profissional nesta temporada 

O Vasco da Gama deve ter reforços da base em todas as posições do campo, começando pelo zagueiro Miranda que já estava treinando com o profissional e chegou a jogar uma partida no ano passado, contra o Internacional. O volante Caio Lopes que chega bem ao ataque vem sendo elogiado e também pode surgir no time de cima neste início de temporada.

Lucas Santos, camisa 10 e capitão do time é o maior destaque dos juniores. O jovem habilidoso chegou a treinar entre os profissionais quando Zé Ricardo ainda era treinador da equipe, mas acabou descendo para o sub-20 novamente. Outro destaque é o João Pedro que ainda não recebeu oportunidades no time de cima.

Crédito da foto: Rodrigo Corsi | Momento que Lucas Santos concedeu coletiva junto ao técnico Marcos Valadares

Apesar do entrosamento com os demais atletas, o atacante Tiago Reis é novo no elenco vascaíno. Tiago desembarcou na colina histórica depois de ser negociado com o Cruzeiro em meados de 2018. Desde então marcou 19 gols em 24 jogos pela equipe carioca.

Já pelo São Paulo a surpresa pode ser o zagueiro Tuta que já considerado experiente entre os jogadores da mesma idade. Tuta tem boa saída de bola e impulsão privilegiada. O zagueiro já estava integrado entre os profissionais, mas retornou ao sub-20 para disputa da Copinha.

A dupla que foi a cara do tricolor na competição também pode surgir entre as revelações para a temporada 2019. Antony já fez três jogos pelo profissional, tendo melhor rendimento quando está solto no campo. Gabriel Novaes pode receber uma oportunidade principalmente após a saída do Tréllez. O jovem atacante ficaria atrás de nomes como Diego Souza e Pablo.

Vale ressaltar que o atacante Gabriel Novaes se tornou o maior artilheiro na história da Copa SP, com 10 gols.

Crédito da foto: Rubens Chiri | Momento que Antony comemorava um dos gols marcados na copinha

Curiosidades da maior vitrine para as categorias de base do país

Meio século e muita história para contar. A Copa São Paulo de Futebol Júnior, antes chamada de Taça São Paulo de Juniores, é disputada desde 1969 quando ainda era organizada pela Prefeitura Municipal de São Paulo para fazer parte das comemorações de aniversário da cidade, celebrado no dia 25 de Janeiro. Após dois anos de competição, em 1971, clubes de todo o Brasil começaram a fazer parte da disputa que ainda era nova, mas como os craques revelados desde então, a Copinha era mais que uma promessa… é realidade (atualmente)!

Alguns clubes estrangeiros já disputaram o torneio, começando pelo Providência do México, em 1980. O Vélez Sársfield da Argentina disputou a Copa em duas ocasiões, 1981 e 82. Já em 1985, o Bayer de Munique da Alemanha, também aterrissou em solo paulista para competir a Copinha. E acreditem… Nenhum deles passou da primeira fase.

Por questões comerciais, o Kashiwa Reysol do Japão, participou da edição realizada em 2014 e surpreendeu ao ser o primeiro clube estrangeiro a passar da fase de grupos. O time japonês enfrentaria o Santos (Campeão daquela edição) na Vila Belmiro, em jogo que o ataque não deu certo e a defesa falhou. O peixe avançaria para as quartas de final, com saldo positivo de 4 a 0.

O primeiro campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior foi o Corinthians, ao vencer o Nacional-SP por 1 a 0. Na edição seguinte, o timão repetiu o triunfo contra seu maior rival: o Palmeiras. Os gaviões lideram com vantagem o ranking dos vencedores da Copinha, com 10 troféus. O título mais recente da equipe foi em 2017. Já o Fluminense aparece em segundo, mas longe do timão. O tricolor das laranjeiras é pentacampeão do torneio.

O São Paulo, novo tetracampeão da Copinha está em terceiro junto à Internacional e Flamengo (que ganhou as quatro finais que disputou). O Vasco da Gama que ganhou apenas uma vez (1992 contra o mesmo São Paulo), se junta a algumas zebras que surgiram ao longo de todas as edições da Copinha, como: Lousano Paulista (campeão em 1997); Roma de Barueri (campeão em 2001); e Santo André (campeão em 2003).

Bem diferente do ponta pé inicial da Copa SP quando teve apenas 4 equipes participando da competição, atualmente mais de 100 equipes disputam todo ano o título mais cobiçado pelas categorias de base do país. Nesta 50ª Copa São Paulo de Futebol Júnior foram 128 times competindo, em um total de 255 jogos desde a fase de grupos até a final, 738 gols marcados e 12 “hat-tricks”. Os gols marcados no segundo tempo superam os feitos no primeiro, 411 contra 327.

Os finalistas da Copinha, São Paulo e Vasco da Gama revelaram os dois maiores artilheiros da competição até o momento. O tricolor Gabriel Novaes terminou com 10 gols, seguido pelo vascaíno Tiago Reis, com 9. Ambos atacantes.

A maior goleada dessa chuva de gols foi no jogo entre Corinthians e Visão Celeste-RN, que terminou em 8 a 0 para o time da casa. Depois do triunfo, o timão ainda convidou os jogadores do norte para conhecerem a arena do clube, em Itaquera. Assim como o Palmeiras, o time também bancou para o Visão Celeste os custos da viagem de volta para o Rio Grande do Norte.

O porco teve a iniciativa de bancar a volta do Galvez, representante do Acre na Copinha, depois de saber que a equipe não tinha dinheiro para voltar para casa. O Galvez havia se planejado para ficar em São Paulo apenas até a fase de grupos, mas quando passou de fase, ‘foldou’ o voô de volta e foi para a partida contra o Palmeiras, onde perdeu por 3 a 0. O elenco acrense também ganhou bolas e chuteiras, além de fazer um tour pelo Allianz Parque antes de embarcar para seu estado natal.

Jogadores como Neymar, Kaká e Ronaldo foram revelados na Copinha

Neymar no Santos, Kaká no São Paulo (melhor do mundo em 2007) e Ronaldo pelo Cruzeiro (melhor do mundo em 1996, 1997 e 2002), são apenas três entre tantos outros jogadores renomados que foram descobertos através da maior vitrine para as categorias de base do Brasil.

Outro ídolo do tricolor paulista, Raí também foi revelado na Copa SP antes de ser considerado o “terror do Morumbi”. Djalminha surge em 1990, pelo Flamengo, que também mostrou para o mundo o talento de Vínicius Jr e Lincoln, jovens atacantes promissores, além do meio-campista Lucas Paquetá.

Jogadores que hoje defendem as cores da Seleção Brasileira também foram revelados na Copinha, como exemplo do zagueiro Marquinhos campeão com o Corinthians em 2012 e Gabriel Jesus, antes de ser campeão brasileiro, em 2016 pelo Palmeiras.

Os meio-campistas Oscar e Lucas Moura também surgiram na competição, assim como Vagner Love, Fred e Robinho. Alguns já conseguiram chegar onde se esperava, outros ainda lutam para que isso aconteça um dia.

A Copa São Paulo de Futebol Júnior volta em 2020 revelando novos craques.

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