“Dois retratos da política de genocídio da população negra no Brasil”, que ocorrerá no dia 11 de julho, na Sala Walter da Silveira, exibirá o documentário “O Caso do Homem Errado” que conta a história do operário negro gaúcho Júlio César de Melo Pinto que foi morto por uma ação policial ao ser “confundido” como assaltante de um supermercado em 1987, e em seguida haverá um bate papo com o ator baiano Leno Sacramento, que no último dia 13 de junho, foi baleado durante uma ação policial no centro de Salvador após ser “confundido” com um assaltante.

Na oportunidade, ainda irão participar do bate papo a diretora do filme Camila de Moraes e o advogado do ator, Cleifson Dias. Representantes de instituições públicas e privadas com interesse na resolução desta problemática também serão convidados. Esta atividade é aberta ao público mediante lotação do espaço. Ao final, um documento com proposta de Representação a ser encaminhada à Procuradora Geral de Justiça do Estado da Bahia será lido, e, a formação de uma Comissão para possíveis ajustes no texto será proposta.

Segundo o advogado Cleifson Dias, “esses fatos isolados poderiam ter diversas interpretações, se não estivessem ligados por uma trilha de corpos negros que se amontam do final do século XIX, passam pelo Júlio César e chegam até Leno com uma só e mesma característica, a política de genocídio da população negra no Brasil. Face às inúmeras estratégias já empreendidas pelo movimento social negro nesta seara, laçaremos mão desta vez do quanto disposto o art. 129, da Constituição Federal brasileira, que, ao tratar das funções institucionais do Ministério Público elenca as tarefas de ‘zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia’, bem como o de ‘exercer o controle externo da atividade policial’, assim, elaboraremos, em conjunto com as pessoas e instituições que assim coadonarem, uma Representação acerca de todo este estado de coisas”, assevera.

Para a diretora do longa-metragem, Camila de Moraes, o cidadão negro nunca é “confundido”. “A bala que atingiu ao ator Leno Sacramento, atingiu todos nós, enquanto sociedade brasileira que lutamos por justiça. Essa dor em nós é profunda e não nos calaremos. Essa é mais uma atividade para mostrar que não irão nos matar, pois no Brasil não existe bala perdida, não existe ser confundido. A final as estatísticas estão aí para mostrar quem são os corpos que são alvejados diariamente. Os nossos corpos negros. Por acreditar na campanha ‘Vidas Negras Importam’, estamos aqui cada vez mais unidos para enfrentar essas barreiras deste racismo institucional que tenta nos matar todos os dias”, afirma.

O Caso do Homem Errado: O documentário conta a história do jovem operário negro Júlio César de Melo Pinto, que foi executado pela Brigada Militar, nos anos 1980, em Porto Alegre. O crime ganhou notoriedade após a imprensa divulgar fotos de Júlio sendo colocado com vida na viatura e chegar, 37 minutos depois, morto a tiros no hospital. O filme traz o depoimento de Ronaldo Bernardi, o fotógrafo que fez as imagens que tornaram o caso conhecido, da viúva do operário, Juçara Pinto, e de nomes respeitados da luta pelos direitos humanos e do movimento negro no Brasil. Além do caso que dá título ao filme, a produção discute ainda as mortes de pessoas negras provocadas pela polícia. A Anistia Internacional, inclusive, fala de genocídio da juventude negra devido ao grande número de jovens negros assassinados pelas forças de segurança no país.

O Caso Leno Sacramento: Ator Leno Sacramento, integrante do grupo Bando Teatro Olodum, no dia 13 de junho de 2018, durante uma ação policial no centro de Salvador foi baleado na perna após ser confundido com um assaltante. Segundo a assessoria da Polícia Civil, uma equipe de policiais foi acionada por populares por causa de dois homens que estariam cometendo assaltos, usando bicicletas, na região do Campo Grande, no centro da capital. Quando foram atender a ocorrência, os agentes avistaram Leno Sacramento e um amigo, o cenógrafo Garlei Souza, andando de bicicleta. A abordagem foi feita com os dois rapazes de forma violenta, tendo início com o tiro na panturrilha que vitimou o ator, e, em seguida, os policiais imobilizaram os dois no chão, finalizando a ação.

SERVIÇO
O Quê: “Dois retratos da política de genocídio da população negra no Brasil” com exibição do documentário “O Caso do Homem Errado” e bate papo após com a diretora do filme Camila de Moraes, o ator Leno Sacramento e o advogado Cleifson Dias.

Quando: 11 de julho de 2018 (quarta-feira)
Onde: Sala Walter da Silveira (Barris) – R. Gen. Labatut, 27 – Barris, Salvador, BA
Horário: 18h30

*Atividade aberta ao público mediante lotação do espaço.

Fonte: InterAGIR Cultural