2020 ou 2021: Quando foi que entramos em uma nova década?

Uma explicação matemática ou regras sobre o tempo e data?

Para alguns a década se iniciou no ano 2020. Na virada do ano de 2019 para 2020 todos estávamos esperançosos com a promessa de um período de 10 anos que seria marcado para a história. É normal a esperança ser renovada a cada virada de ano, mas no réveillon de 2020 a comemoração marcou a virada de uma década.

Mas há quem não concorde com esta informação. Essa é uma confusão que inundou as redes sociais no mês de dezembro de 2019. A Real Academia Espanhola, tutela oficial da língua castelhana (como a Academia Brasileira de Letras), teve de esclarecer a questão. Na ocasião, a RAE esclareceu que a nova década começaria em 2021 porque “cada década começa em um ano acabado em 1 e termina em um ano acabado em 0”.

“Assim, a primeira década do século 21 é a que vai de 2001 a 2010; a segunda, de 2011 a 2020; a terceira, de 2021 à 2030 etc”, completou a RAE, citando o Dicionário Panhispânico de Dúvidas.

O esclarecimento da RAE coincide com a explicação matemática.

“A RAE deixa bastante claro e é uma questão matemática. A década não começa com o ano 0. Começa a contar a partir do ano 1”, diz Eugenio Manuel Fernández Aguilar, físico espanhol.

“Se contarmos para trás, temos o -1, então pulamos o ano 0. Ao pularmos o ano 0, se contarmos 10, vamos de 1 ao 10, não de 1 a 9. Então, uma década termina em 10. E a segunda década é do ano 11 ao 20”, afirma.

Tudo parece indicar que a confusão sobre se a década terminava ou não em 2019 surgiu porque os conceitos de década e decêncio não significam a mesma coisa.

Embora as duas palavras signifiquem “período de 10 anos consecutivos”, decênio se usa para designar o período de 10 anos entre quaisquer dois anos.

“Decênios são 10 anos e podemos começar onde quisermos”, reforça o físico Fernández.

“É muito frequente expressar os decênios tomando como limite os anos que terminam no mesmo número (1578-1588), mas é preciso saber que esse costume implica uma inexatidão, já que esses limites compreendem, na realidade, 11 anos e não 10, já que o cômputo inclui tanto o primeiro ano quanto o último”, esclarece a RAE.

Uma década, por sua vez, designa em especial um período de 10 anos referente a cada uma das dezenas do século (ano 10, 20, 30 etc.).

Cada uma das 10 décadas de cada século começa em um ano acabado em 1 e termina em um ano acabado em 0; assim, a primeira década do século 20 é a que vai de 1901 a 1910; a segunda, de 1911 a 1920; a terceira, de 1921 a 1930, etc.

“Um problema para é que dizemos ‘anos 20’ e ‘anos 80’ e isso dá a ideia de que começa em 1920 ou 1980. Mas aqui não estamos nos referindo à década, mas a um decênio. Decênio e década não são a mesma coisa”, insiste Fernández.

“Do ponto de vista matemático, uma década é contada a partir do 1, não do 0. Essa década em que estamos, que começamos a contar realmente em 2011, termina ao fim de 2020”, resume.

Mas o que é oficialmente uma década?

Consultamos a Organização Internacional de Padronização (ISO, na sigla em inglês) e suas regras sobre tempo e data.

Cabe esclarecer que no mundo ocidental o calendário gregoriano é utilizado (que o papa Gregório 13 colocou em prática em 1582 e foi posteriormente adotado por muitos países).

Isso significa que um ano, como 2019, está dividido em 12 meses, que por sua vez contêm um total de 365 dias – com exceção dos anos bissextos.

E o fato concreto é que, quando se começa a contar, não existe o ano 0 no calendário gregoriano.

Mas no ISO 8601, a norma internacional para representação de data e hora emitida pela Organização Internacional para Padronização, é utilizado o sistema astronômico de numeração do ano calendário.

Isso quer dizer que o ano 0 corresponde ao 1 (antes de Cristo) do calendário gregoriano, e o ano 1 corresponde a 1 (depois de Cristo).

Então, “segundo a ISO, a década se define como 10 anos a partir de um ano em que o número pode ser completamente divisível por 10”, explica Ronald Tse, um dos editores da norma ISO 8601.

“Isso significa que do ano 0 ao ano 9 é uma década, do ano 10 ao 19 é uma década e do ano 2010 ao 2019 é uma década”, diz Tse.

Portanto, para a ISO, o ano 2020 é o começo de uma nova década.

Mas o que realmente importa?

Na prática, o ano de 2020 foi um desafio. Por causa da pandemia muitos projetos deixaram de ser executados, negócios foram comprometidos, vidas foram ceifadas, e o mundo parou! A chegada de 2021 representa a esperança mundial em relação a vacinas que possam controlar o avanço do novo coronavírus.

Os próximos 10 anos, a contar deste novo ciclo, prometem ser um período que será marcado para sempre na história. A transformação digital alcançará um novo estágio e a relação entre homem e máquina ultrapassará tudo o que já foi visto até os dias de hoje. Agora, não são apenas previsões futurísticas, mas é possível visualizar tendências e dizer quais inovações estarão presentes em nossas vidas.

A tecnologia caminha a passos largos rumo ao que parece ser hoje inevitável. Com a pandemia, esta realidade se tornou ainda mais acessível. O mundo todo se conectou através de vídeo, lives, chats e comunicadores. As áreas da comunicação e do entretenimento tiveram que se reinventar, médicos passaram a realizar consultas on-line, profissionais passaram a atuar em home office, professores que nunca haviam experimentado fazer chamadas de vídeo tiveram que assumir o desafio de ensinar à distância.

Mas não foi a pandemia do coronavírus que determinou esta evolução tecnológica, essa transformação está atrelada também às mudanças comportamentais das pessoas, que demonstram estarem muito mais exigentes com questões de sustentabilidade, responsabilidade, comunicação personalizada e criação de experiências.

A terceira década do milênio, iniciada em 2020 ou em 2021, pode ser sim marcada como a principal ponte da transformação digital na humanidade. O fato é que só poderemos afirmar ao certo daqui a 9 ou 10 anos, se o impacto tecnológico modificou todos os aspectos das nossas vidas ou não.

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