O Museu Nacional como instituição não acabou. O incêndio foi no prédio do palácio, mas ainda existem prédios anexos que estão intactos. O Museu era um dos maiores centros de pesquisa científica da América Latina. Lá haviam vários laboratórios de Antropologia, Zoologia, Museologia, História, Arqueologia, entre outros. O que não pegou fogo foi um prédio próximo ao palácio e outros prédios que ficam do outro lado da Quinta da Boa Vista, no Horto Botânico, onde se encontram os prédios da Biblioteca, Departamento de Vertebrados e Botânica. 
Além de ser um espaço cultural para entretenimento, o Museu tem papel de ser mantenedor de materiais coletados por cientistas de todo o mundo. Vários cientistas desenvolviam seus trabalhos no local, a partir de análises de materiais exclusivos, como por exemplo, múmias únicas que não se encontram em nenhum outro lugar.

Igor Cavalcanti tem 23 anos, é estudante de Biologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e estava engajado no setor de Vertebrados do Museu Nacional. Igor afirmou que “na Zoologia, perdemos coleções completas de invertebrados. Animais de algumas espécies só existiam aqui e essa tragédia causará grandes problemas internacionais no meio científico.”

O jovem estudante ainda disse que o problema poderia ser evitado se promessas do governo fossem cumpridas. Além disso, o prédio estava sucateado há algum tempo e para se reestruturar precisará de um investimento bilionário.

 

– O Museu precisa agora de um investimento bilionário. Mesmo assim nunca vai se recuperar para ser o que era antes. O prejuízo foi irreparável e o que podemos fazer é lutar para conseguir um local digno para trabalhar, expor e armazenar nossos materiais futuros. O Museu estava sucateado, essa foi uma tragédia anunciada! – comentou Igor.

É preciso se atentar para como funcionará a distribuição de recursos financeiros com essa calamidade. Uma reunião do diretor do Museu junto aos chefes dos departamentos, deve acontecer ainda nesta semana, para decidir quais serão os primeiros passos de reestruturação do local.

Por: Gabriel Malheiros