Foto: Reprodução

Protestos contra violência policial ganham força na Nigéria após mortes em manifestações pacíficas

Uma demonstração de indignação popular tomou conta das ruas do país nas últimas semanas contra uma agência policial e representa um dos maiores desafios para o governo Nigeriano em anos.

Por Guilherme Campbell

A cidade de Lagos na Nigéria, África Ocidental, tem passado nos últimos dias por uma onda de protestos contra o fim da violência policial e o fim da SARS, (Special Anti-Robbery Squad), em tradução livre, Esquadrão Especial Antirroubo. Não se sabe ao certo o que deu início aos protestos, mas tudo indica que o catalisador foi um vídeo de 3 de outubro, registrando a morte de um homem por oficiais do SARS vestidos de preto em Ughelli, uma cidade no sul do estado de Delta.

As autoridades nigerianas disseram que o vídeo – amplamente compartilhado nas redes sociais, era falso e prenderam a pessoa que o havia postado, gerando mais tensões. O movimento ganhou força nas redes sociais, onde a hashtag #EndSARS teve enorme repercussão internacional por mostrar e compartilhar imagens da brutalidade policial.

O que é a SARS?

O grupo policial SARS foi criada me 1984 supostamente para conter os constantes roubos e furtos na Nigéria. Contudo, a instituição é acusada desde sua origem, pelo uso de violência excessiva como sua principal estratégia. O grupo também é acusado de confiscos ilegais de propriedades, execuções, assédio, corrupção, extorsão, roubo e tortura. Nos últimos quatro anos as entidades que atuam na proteção dos Direitos Humanos já denunciavam as práticas ilegais do grupo, que registraram 82 casos de tortura e execução por parte da SARS. Em relatório, a Anistia Internacional afirma que a maior parte das vítimas são homens jovens entre 18 e 35 anos, pobres e de grupos marginalizados, são exatamente esses grupos que tomam conta das ruas, personificando a indignação da população que atingiu seu grau máximo na última semana.

Reações Internacionais

Os acontecimentos repercutiram em larga escala, o secretário-geral da ONU, António Guterres, se pronunciou em suas redes sociais condenando a brutalidade e a violência em Lagos. “ Peço que as manifestações sejam pacíficas e que acabem com a brutalidade e os abusos policiais. ” Postou Guterres em seu Twitter.

Josep Borrel, chefe da diplomacia da União Europeia também comentou os acontecimentos pedindo justiça pelos feridos durante os protestos. “UE está alarmada ao ver que várias pessoas foram mortas e feridas durante os protestos em curso contra o Esquadrão Especial Antirroubo. É crucial que os responsáveis ​​pelo abuso sejam levados à justiça e responsabilizados. ”.

O candidato a presidência dos Estados Unidos Joe Biden pediu que o presidente Buhari e os militares nigerianos cessem a violenta repressão aos manifestantes na Nigéria, que já resultou em várias mortes. “Meu coração está com todos aqueles que perderam um ente querido na violência. Os Estados Unidos devem apoiar os nigerianos que estão manifestando pacificamente a favor da reforma da polícia e buscando o fim da corrupção em sua democracia. ”, afirmou Biden em declaração. Os EUA condenaram “forças militares disparando contra manifestantes desarmados em Lagos”, postou o secretário de Estado Mike Pompeo em seu Twitter usando a hashtag #EndSARS.

Em resposta as manifestações o governo disse que desmantelaria o SARS e aumentaria os salários de mais de 350.000 policiais federais, para que a corrupção e extorsão deixassem de ser uma forma de aumentar os salários baixos. O presidente Muhammadu Buhari também prometeu uma investigação sobre as acusações de violência policial, mas pediu paciência da população enquanto as reformas policiais acontecem. 

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