Por que o brasileiro ainda insiste em investir na poupança?

Com a Selic a 2,25% ao ano, a poupança está rendendo apenas 1,58% ao ano, mas continua sendo o investimento preferido dos brasileiros.

Uma pesquisa da Capital Research no início de julho revelou que 70% das pessoas deseja investir em 2020, mas que 41% delas considera investir apenas na poupança. Com a Selic a 2,25% ao ano, a poupança está rendendo apenas 1,58% ao ano, mas continua sendo o investimento preferido dos brasileiros.

Os riscos do mercado de ações é um dos motivos que afastam o brasileiro da bolsa. Em vez de investir nas ações mais baratas, por exemplo, os investidores acabam preferindo a segurança da caderneta de poupança.

Poupança continua batendo recorde de captação

Os dados mostram que mesmo com baixíssimo rendimento, a poupança continua batendo recordes de captação. Segundo o Banco Central, a caderneta atingiu R$ 37,2 bilhões. As ações são o segundo tipo de investimento mais atraem os brasileiros com 38%, mas o perfil conservador do investidor brasileiro ainda o prende a poupança e a renda fixa.

Samuel Torres, analista-chefe da Capital Research explicou ao Valor que é possível entender que a maior parte dos brasileiros tenha um perfil conservador de investimento. Segundo o especialista, isso acontece porque há um déficit de educação financeira no Brasil. Torres ressalta que há outras opções de baixo risco mais interessantes que a poupança no mercado.

Concorrência entre bancos e corretoras divide investidores

O levantamento da Capital Research também chama atenção para a batalha de bancos e corretoras pela preferência dos investidores. Os dados mostram que os investidores brasileiros estão bem divididos, 44% optam por investir pelo aplicativo do banco, enquanto outros 37% investem pelo app da corretora.

Samuel Torres ressalta que mais importante do que saber quem está certo ou errado é ter a oportunidade de entender como o mercado funciona. Segundo ele, para que o investidor brasileiro tome a melhor decisão sobre o que fazer com o seu dinheiro, ele precisa ter acesso a todas as informações sobre o mundo dos investimentos.

Medo de perder dinheiro e segurança são os principais motivos para a escolha pela poupança

Outra pesquisa recente encomendada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostra o abismo entre a educação financeira dos brasileiros e o apetite por investimentos de maior risco.

Na avaliação da Anbima, o conhecimento dos brasileiros sobre os investimentos de alto risco como o mercado de ações está diretamente ligado ao noticiário. A superintendente de educação da Anbima, Ana Claudia Leoni ressalta em entrevista ao Uol que todos já ouvimos falar sobre a Petrobras ou Vale e já assistiu algum jornalista falando sobre o índice Ibovespa.

Esse é um mercado que o brasileiro não conhece a fundo, mas conhece. Citada por 11% dos entrevistados, as ações novamente ficaram apenas atrás da poupança com 32% como o tipo de investimento mais conhecido dos brasileiros.

O problema é que mesmo com um certo conhecimento sobre o mercado de ações, a maior parte dos investidores brasileiros temem perder dinheiro e acham a poupança um tipo de investimento mais seguro.

O medo de perder dinheiro ao investir em ações

Para Ana Claudia, as oscilações diárias do mercado de ações afastam os brasileiros. Em resumo, os investidores têm “medo de perder dinheiro”. Se você aplica em 100 ações hoje e amanhã elas sobem para 120, mas no dia seguinte caem para 110, o investidor fica incomodado, mesmo que com a perda das 10, o saldo seja positivo em 10, cita Ana Claudia.

A especialista também ressaltou que momentos de pressão e nervosismo no mercado financeiro causam o que chamamos de “efeito manada”. O efeito manada acontece quando muitas pessoas compram ou vendem ações simultaneamente com medo da imprevisibilidade do mercado.

Para Ana, o lado emocional e o risco de perder dinheiro acaba fazendo até investidores experientes tomarem decisões erradas. E com isso, investidores iniciantes na bolsa são mais propensos a sucumbirem a pressão e tomarem decisões ruins. Esse medo de sucumbir as oscilações do mercado fala mais alto na hora de investir.

Menos rendimento, mais segurança

Quase 42% dos entrevistados na pesquisa da Anbima afirmam que não pretendem trocar a poupança por outro investimento em 2020. Isso mostra que mesmo com um certo conhecimento sobre o mercado de ações não há tanto apetite em investimentos de risco no investidor brasileiro.

Quando perguntados por qual tipo de investimento trocariam a poupança, 4% responderam planos de previdência, 3% citaram o Tesouro Direto e somente 2% disseram estar dispostos a investir em ações. Isso mostra claramente que o brasileiro prefere a poupança pela segurança e não se preocupa tanto com os rendimentos que pode ganhar em outros tipos de investimento.

Segundo Ana Claudia, de maneira geral, no Brasil as pessoas ainda estão mais preocupadas em guardar o seu dinheiro de forma segura, por isso a poupança é tão tradicional e popular no baixo. Mesmo que hoje ela renda muito pouco, a poupança é uma forma segura de guardar dinheiro e poder retirar o montante ou parte dele sempre que preciso.

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