Nossa cidade vive o seu pior momento político da história. São seis vereadores afastados, após prisões e fugas, banheira e Sala VIP, salários pagos aos envolvidos e arquivamento dos inúmeros pedidos de cassação – não foram poucos os que assinei. O Legislativo Municipal se tornou uma novela dramática, que tanto envergonha petropolitanos e petropolitanas. Ao mesmo tempo, um prefeito irresponsável se esconde em meio às luzes de um Natal superfaturado, decadente e falso como o seu governo. A tragédia Bernardo Rossi chega ao fim de seu terceiro ano de mandato acumulando esquemas, erros e covardias.

O funcionalismo público sofre humilhações desde o início: cortes nos salários dos servidores da Educação, precarização dos contratados em várias pastas, perseguições políticas e remanejamentos forçados para a garantia de terceirizações e compromissos com cabos eleitorais. A Saúde, à beira de um colapso, é conhecida por suas filas que nunca acabam nos postos, exames e cirurgias. Além da demora nas UPAs, média de quatro horas por um atendimento, e da situação precária do Hospital Alcides Carneiro (HAC) com falta de insumos, alimentos, profissionais e transparência em sua gestão. Quando até a conta de telefone deixa de ser paga, é sinal que o povo está abandonado à própria sorte!

Enquanto isto a tarifa de ônibus subiu 27% apenas no período Rossi, a política de moradia é baseada em promessas para famílias que sofreram com tragédias ou lutam contra as remoções de suas casas. Já a especulação imobiliária constrói onde bem entender, a hora que quiser, recebendo incentivos, desmatando, cobrando aluguéis abusivos sem nenhuma pressão por parte do Município. A juventude apanha do choque de ordem, as praças sofrem sem cultura, bares e restaurantes esvaziam com um toque de recolher que mais parece notícia do século passado. As ruas esburacadas, os bairros abandonados e a falta de emprego, também não mentem. Petrópolis está agonizando com um prefeito incompetente, uma Câmara Municipal falida e meia dúzia de deputados petropolitanos que dizem lutar pelo nosso município, mas não fazem nada além de bajular o presidente ou o governador. Na ausência de trabalho estes últimos justificam suas existências políticas no distante debate nacional, estão mais preocupados com as últimas do STF, ou o último tweet do Bolsonaro, do que com a triste realidade que passa nossa cidade. Nada diferente de Bernardo Rossi, que cresceu nadando na onda passada do PMDB, junto de Picciani, Cabral e Pezão. Mudam os nomes, permanecem as práticas…

Temos urgências, problemas graves que estão inviabilizando o desenvolvimento e o futuro de Petrópolis. Para superarmos o atual quadro é preciso muito planejamento, gestão e coragem para reconstruirmos a cidade junto das pessoas, não dos interesses mesquinhos que vigoram. Petrópolis precisa se tornar novamente um lugar de oportunidades, sem que seus jovens tenham que deixar a cidade em busca de formação e trabalho. Com mais investimento em ciência e tecnologia; melhores empregos a partir da valorização da educação e capacitação permanente; um turismo que não pare no Centro Histórico e novas formas de renda principalmente nos distritos e comunidades afastadas. Uma Petrópolis dos bairros se faz fortalecendo a economia local por meio de microcrédito aos que criam, vendem e prestam serviços; da criação de cooperativas de moradores para a execução de obras em infraestrutura, manutenção pública e melhorias nas habitações das comunidades; fazendo com que o poder público e seus serviços cheguem onde as pessoas moram. Precisamos ter uma cidade de encontros, com praças e ruas tomadas de atividades culturais e esportivas, sem tapa na cara de adolescente, sem trabalhador de rua sendo esculachado, sem toque de recolher ou choque de ordem. Uma cidade segura para as mulheres que sofrem com altos índices de violência. Uma cidade organizada para as pessoas, suas necessidades e sonhos!

Por fim, para que tantos projetos possuam viabilidade, precisamos radicalizar. Combater as máfias que aumentam o custo de vida dos petropolitanos (fiscalizando as concessionárias de água e de luz, empresas de ônibus, estacionamento rotativo, etc). Ter mais rigidez no planejamento e zoneamento urbano, taxando especuladores imobiliários que tanto oneram comerciantes e trabalhadores. Coibir a sonegação fiscal de grandes contribuintes (bancos, instituições financeiras, cartórios e grandes proprietários). Promover a participação cidadã no controle do orçamento público, estimulando a educação fiscal. Auditar os grandes contratos de prestação de serviços, compra, fornecimento e locação firmados com o Município. Cortar 50% dos cargos por indicação política e institucionalizar um gabinete de projetos, captação e convênios em consonância com o Plano Diretor. Arrecadar mais com o ICMS Verde, compor consórcios com outros municípios dividindo as despesas em alguns serviços e políticas públicas já compartilhadas.

Este ensaio não pretende apresentar ideias fechadas, muito menos tem a prepotência de ser a solução para nossos problemas. Apenas busca lembrar a urgência em pensarmos Petrópolis de forma diferente. Não deixar que nosso lugar se torne um símbolo do atraso social, da corrupção e do esvaziamento econômico. Não somos um dormitório, precisamos agir com grandeza!

Yuri Moura
Professor de história, gestor público e 3º colocado nas eleições municipais de 2016.