O menino João Miguel, de apenas dois anos de idade, morreu nesta quinta-feira (17) em Belo Horizonte (MG) em decorrência do agravamento da atrofia muscular espinhal (AME), uma doença degenerativa grave. Ele foi vítima de uma parada cardíaca.

O caso ganhou repercussão nacional em julho, quando o pai de João, Mateus Henrique Leroy Alves, de 37 anos, foi preso por desviar R$ 600 mil do dinheiro arrecadado em vaquinha online para custear o tratamento do menino. Além de levar uma vida de luxo, ele investiu R$ 50 mil em uma casa de prostituição.

João estava em casa ontem à noite quando passou mal e teve que ser internado às pressas. Recebeu atendimento rapidamente num hospital aqui em Conselheiro e foi transferido para Belo Horizonte. Hoje teve uma parada cardíaca e não resistiu” explicou Daniel Gomes, titular da delegacia de Conselheiro Lafaiete, cidade natal de João.

A campanha “Ame João Miguel” angariou mais de R$ 1 milhão de reais em um ano. A publicação mais recente nas redes sociais é um vídeo gravado pela mãe do menino, Karine Rodrigues, em agradecimento pelas mensagens recebidas no aniversário do filho. Ele havia completado dois anos no último dia 7. “Mais uma conquista aí na vida dele. Ele tá muito feliz pelo carinho de todos e todo mundo faz parte desta vitória”, disse Karine.

João precisava de um remédio chamado Spinraza para conter o avanço da doença. Em agosto, a família suspendeu a arrecadação ao obter uma liminar na Justiça que obrigou o estado a pagar as três primeiras doses do medicamento. Cada uma delas custa R$ 340 mil.

Segundo Daniel Gomes, o corpo de João Miguel será velado e sepultado em Conselheiro Lafaiete nesta sexta-feira (18). Ele acrescentou, ainda que há um outro inquérito em andamento contra o pai do garoto. “Estamos com a análise de alguns dados bancários para ser feita, é um inquérito mais demorado pela quantidade de dados, mas ele provavelmente será indiciado pelo crime de lavagem de dinheiro assim que concluir o inquérito”, disse.

 

Investigação sobre o desvio de dinheiro da campanha

De acordo com a investigação, Mateus Henrique passou três dias em Salvador (BA) fazendo uso indevido do dinheiro arrecadado. A esposa relatou à polícia que ele lhe dizia que estava viajando e fornecia informações desencontradas. As autoridades, então, sugeriram à mãe do menino que verificasse o saldo das contas da campanha, e ela descobriu saques de quantias altas.

A investigação identificou que, além de levar uma vida de luxo, Mateus investiu R$ 50 mil reais em uma casa de prostituição. Ao ser preso, o homem disse estar arrependido e pediu perdão à esposa, afirmando à polícia que ela não sabia do golpe, mas não detalhou o que fez com o dinheiro.

O Mateus continua preso. Está respondendo pelos crimes de estelionato e abandono material contra a família. Já teve a audiência para ouvir as testemunhas do caso, eu até fui ouvido na ocasião e o Mateus também. A previsão é de que a sentença saia no próximo mês”, revelou o delegado.