Sem barracão, a Alegria da Zona Sul está com os chassis das alegorias ao relento, num terreno na Avenida Brasil, em Benfica — Foto: Divulgação

Escolas da Série A sofrem com a maior crise da história para fazer o carnaval de 2019 no Rio

O que já não era fácil está ainda pior para as escolas de samba da Série A do carnaval do Rio, que sofrem a maior crise de suas histórias. Além de enfrentarem os mesmos problemas saída de patrocinadores e atraso nos repasses da prefeitura que as escolas do Grupo Especial, há menos de três meses dos desfiles, algumas agremiações não têm sequer um barracão para trabalhar.

Das escolas que tiveram os barracões despejados em meados deste ano, pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), na Zona Portuária, segundo a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj), uma das que se encontra em situação mais delicada é a Alegria da Zona Sul.

Sem um barracão até hoje, a escola além de não conseguir dar início aos trabalhos de construção de alegorias para o desfile de 2019 e vê o material que tinha sobrado de desfiles passados se estragando no tempo. Chassis de carros alegóricos foram levados para um terreno a céu na Avenida Brasil, na altura de Benfica, na Zona Norte. As fantasias estão sendo confeccionadas em ateliês. Mas nada pode ser feito nas quatro alegorias.

A Lierj informa que tentou, em agosto, com a Riotur a cessão daquele terreno – que pertenceu à fábrica Rheem Química e onde está o material da Alegria – para a construção de barracões que dariam origem à Cidade do Samba 2. Mas como informou a Riotur, a área pretendida pelas escolas da Série A vai ter outra destinação.

“A proposta inicial de ocupação de um terreno na Avenida Brasil, protocolada pela Riotur a pedido de representantes da Lierj, foi descontinuada em virtude da construção de um condomínio do projeto Minha Casa, Minha Vida no local”, diz a nota da Riotur, que destaca a dificuldade de encontrar um terreno que corresponda às especificações da Liga, com 10 mil metros quadrados e relativamente perto do Sambódromo.

Já Lierj informa que está dando apoio e suporte às escolas que foram despejadas: Alegria da Zona Sul, Unidos de Bangu, Inocentes de Belford Roxo, Acadêmicos de Santa Cruz e Acadêmicos do Sossego, além de outras três – Unidos Porto da Pedra, Acadêmicos da Rocinha e Renascer de Jacarepaguá, que estavam na iminência de também serem desalojadas. Mas sem o aporte do poder público, as dificuldades são enormes.

Para algumas, como a Porto da Pedra, a Lierj fez acordo com a Cdurp para que até o carnaval de 2019 elas continuem ocupando os espaços de onde foram despejadas. Outras escolas, por conta própria montaram seus barracões em espaços cedidos por outras agremiações, como a Unidos da Ponte

A Unidos de Bangu, que teve o antigo barracão destruído por um incêndio em maio – onde também estava o material da Unidos da Ponte e da Lins Imperial, da Série B – está concluindo as obras de um novo espaço na Avenida Brasil, em São Cristóvão, na Zona Norte.

“Conseguimos este espaço e ao mesmo tempo que tocamos as obras, estamos preparando as fantasias, que já estão quase finalizadas. Aí, vai ficar faltando somente as alegorias . Já a Unidos da Ponte, já tem três dos quatro carros em fase de decoração. Mas ainda não encontramos um chassi para preparar o quarto carro. Tivemos prejuízo, mas estamos conseguindo recuperar e vamos ter um carnaval bonito e feito a tempo”, disse um dos assessores da Unidos de Bangu, Helder Martins.

Fonte: G1

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