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Dilma e outras personalidades protagonizam filme sobre presídio na ditadura

“O filme é um manual de resistência para os dias atuais”, diz Susanna Lira, sobre seu documentário “Torre das Donzelas”, que explora a histórias de mulheres presas durante a ditadura militar brasileira.

O longa-metragem, que estreia nos cinemas de 15 cidades nesta quinta-feira (19), traz senhoras que relembram, entre lágrimas e sorrisos, os anos em que passaram no presídio Tiradentes, na cidade de São Paulo. Entre as dezenas de entrevistadas, está a ex-presidente Dilma Rousseff, que chegou lá em 1970.

“Existe um sistema de apagamento no Brasil. Não temos sítios de memória, como em outros países que tiveram ditadura. Achei interessante recuperar esse espaço para ser um dispositivo de lembrança para as entrevistadas”, explica Lira sobre a decisão de recriar o presídio.

Foram quatro anos para convencer as mulheres a participarem. Naturalmente, muitas estavam traumatizadas e optavam pelo silêncio. A situação mudou a partir das manifestações de 2013 e, principalmente, durante o processo impeachment de Dilma.

“Falar sobre a tortura que se viveu não é fácil. O silêncio acontecia muito entre nós. Mas também houve a consciência de que se eu não falasse sobre a tortura, o torturador permaneceria dentro de mim. Esse entendimento nos fez romper o silêncio. É uma noção que veio junto da ideia de que falar faz com que o passado não se perpetue”, diz Rita Sipahi, advogada, ex-conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e uma das entrevistadas.

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