A pandemia de coronavírus está mudando a rotina das pessoas de todo o mundo. Um dos setores mais afetados pelo surto é o comércio, principalmente, os bares e restaurantes. Donos destes estabelecimentos estão buscando aprender a como lidar com a crise e se adaptar a esta nova realidade.

Nos últimos dias, a imprensa tem noticiado medidas de muitos governadores que levam ao fechamento ou ao funcionamento parcial de bares e restaurantes. Em tempos de pandemia, as medidas acabam sendo necessários para tentar evitar o rápido avanço do vírus no Brasil. Mas como ficam os donos de bares e restaurantes em todo esse processo?

Brasileiros apoiam medidas de isolamento e a tendência é que o movimento caía bruscamente

Em meio a pandemia, o que mais interessa a bares e restaurantes é ter uma noção de como seus consumidores devem reagir a este momento. E as notícias não são nada boas na questão econômica. Uma pesquisa do instituto Datafolha aponta que a maior parte dos brasileiros apoiam as medidas de restrição tomadas por governadores e pelo Ministério da Saúde.

O Datafolha ouviu mais de 1.558 pessoas pelo país e constatou que 73% das pessoas apoiam às medidas de quarentena dos governos, restringindo as saídas a rua para tentar diminuir o contágio pelo novo coronavírus. Cerca de 24% são contra as medidas de restrição.

O presidente Jair Bolsonaro tem repetido nos últimos dias, que não concorda com as medidas restritivas dos governadores e criticou as ações que visam o isolamento social. O biólogo Atila Iamarino defende como especialista que para conter o avanço rápido do contágio, o governo precisa ser mais contundente, promovendo o isolamento total dos cidadãos brasileiros.

As medidas restritivas já apontam uma forte diminuição de pessoas nas ruas e os dados da pesquisa Datafolha comprovam isto, veja abaixo:

  • 37% já pararam de trabalhar ou estão trabalhando em casa
  • 55% deixaram de ir às aulas devido à suspensão das atividades
  • 76% não estão praticando atividades de lazer
  • 46% dizem estar em isolamento total

Diminuição do movimento nas ruas já afeta bares e restaurantes de todo o país

A pesquisa Datafolha mostra em seus números que os brasileiros, em grande maioria, estão apoiando as medidas restritivas tomadas, principalmente, por governadores de diversos estados.

E mais do que isso, a pesquisa mostra que o movimento já despencou nos últimos dias, ajudado pela suspensão das aulas, pelo aumento do trabalho em home office e pelo fechamento de parques públicos, shoppings centers, suspensão de eventos esportivos, entre outros.

As medidas já estão refletindo em bares e restaurantes pelo Brasil. No Distrito Federal, por exemplo, a Abrasel-DF (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) estima que houve uma queda de 40% no movimento dos estabelecimentos na última semana. Com isso, muitos proprietários temem ter de fechar as portas de seus negócios nos próximos meses.

Uma avaliação do Sindrio (Sindicato de Bares e Restaurantes do Município do Rio de Janeiro) aponta que a pandemia de coronavírus será terrível para os estabelecimentos da capital carioca. Segundo o sindicato, muitos bares já anunciaram demissões de funcionários.

O sindicato explica que a maior parte dos estabelecimentos não possui caixa para atravessar esta crise, que deve durar pelo menos até junho. Sem dinheiro para honrar os compromissos nos próximos meses, com restrições para o funcionamento e a diminuição de receitas, o temor é que muitos bares e restaurantes do Rio possam ir â falência neste período.

Delivery: entregas em domicílio é uma opção que pode salvar muitos bares e restaurantes

Com medidas que preveem o fechamento ou o funcionamento parcial de bares e restaurantes, muitos comerciantes do setor veem na entrega de comida em domicílio, o famoso delivery, uma solução para manter parte das operações e tentar evitar uma queda brusca de suas receitas nos próximos meses.

Mesmo com os decretos bastante restritivos, a entrega de comida em domicílio foi mantida por governadores e pode ser um ponto de apoio para a sustentação dos estabelecimentos do setor. Até mesmo, os bares e restaurantes de shoppings espalhados pelas cidades brasileiras podem continuar funcionando através do delivery, mesmo com os edifícios fechados.

Para garantir que os consumidores não tenham receio de fazer pedidos de delivery, os principais aplicativos de entrega estão adotando medidas para evitar o contato entre clientes e entregadores como medida de segurança.

O iFood, por exemplo, criou a opção de “Entrega sem contato”, para os consumidores. Assim, o cliente pode fazer o pagamento pelo aplicativo e o entregador recebe orientações do cliente para realizar uma entrega sem interação.

Nos demais aplicativos como o Uber Eats , o Rappi e a 99Food, também oferecem essa opção. Os consumidores podem pedir por meios das observações ou da chat para que os entregadores coloquem seus pedidos em frente à porta ou deixem na portaria, no caso de prédios.

Para o presidente do SindRio, Fernando Blower, afirmou que o delivery é apenas um paliativo e deve servir para manter apenas as empresas do ramo que são especializadas neste tipo de entrega. Blower ressaltou que o setor precisará de ajuda do governo para evitar falência e demissões em massa no período de pandemia.