Pré-candidatos

Rubens Bomtempo – É o favorito do pleito para o cargo de Prefeito. Lidera todas as pesquisas e enquetes informais. O único político que conseguiu se reeleger por voto direto na história de Petrópolis. Não houve renovação de nomes no espectro da centro-esquerda nos últimos anos, fato que impulsiona naturalmente sua candidatura. Se houver polarização da disputa aumentam as possibilidades da criação de uma frente ampla de esquerda liderada pelo ex-Prefeito ainda no primeiro turno.

Circula em todos os cantos da cidade, conhecendo os eleitores pelo nome. Tem memória inigualável, tanto para os apoiadores quanto para os adversários. Não vai encontrar dificuldade para derrubar a decisão provisória do TCE que sugeriu a reprovação de suas contas, tendo em vista a fragilidade jurídica do acórdão e também pela contumaz competência de sua equipe de advogados. A aprovação das contas do ex-governador Pezão pela ALERJ, que também foram reprovadas pelo TCE, são um precedente político importante caso o processo seja encaminhado para votação na Câmara Municipal.

Não terá problemas também para montar nominata de vereadores tendo em vista a insatisfação de diversos legisladores com a atual gestão do Executivo. Seu maior desafio será criar uma narrativa que justifique um quarto mandato em um momento que a população clama por renovação política. Diante do contexto atual, se a votação acontecesse no próximo domingo estaria eleito.

Atualmente, é o crupier da disputa, distribuindo as cartas e ditando o ritmo do jogo. Resta saber se permanecerá nessa posição da mesa até o fim do pleito.

Bernardo Rossi – Foi vereador, ex-Presidente da Câmara de Vereadores, Deputado Estadual e Secretário de Estado. Tudo isso com menos de 40 anos. Sabe apostar. Tem a máquina municipal à sua disposição, bem como um exército de cargos comissionados e servidores com funções gratificadas para fazer campanha sem custos, o que é uma grande vantagem.

Os pontos negativos principais são a vinculação do seu nome com a família Picciani (seus (ex) padrinhos políticos) e com o Vereador Paulo Igor, que estão presos ou afastados do mandato por decisão do Poder Judiciário. Sua base de apoio na Câmara se dissolveu com os sucessivos afastamentos judiciais de vereadores aliados.

O discurso anticorrupção ainda estará vivo na memória do eleitor nas próximas eleições, fato que prejudica imensamente sua pretensão, mesmo se mudar de partido se filiando, provavelmente, no DEM do poderoso Presidente da Câmara Rodrigo Maia. As promessas de renovação e mudança prometidas na época da eleição passada não foram concretizadas, tendo repetido diversos erros de governos pretéritos como: atraso do salário dos RPAs, inadimplência com os fornecedores, não cumprimento do direito dos servidores, falta de repasse dos empréstimos consignados e ausência de manutenção viária adequada, por exemplo. Vai ter que suar a camisa para mudar esse panorama.

Ainda tem tempo para esperar as boas mãos de cartas chegarem para reverter essa situação, só não se sabe se ainda terá fichas suficientes (caixa disponível) para alterar esse quadro até o fim do jogo.

Daniel Silveira – Apesar de estar em seu primeiro mandato como Deputado Federal conseguiu obter significativo espaço político na Câmara dos Deputados, sendo nomeado vice-líder do antigo PSL e posteriormente vice-líder do governo. Opera bem as redes sociais, já contando com dezenas de milhares de seguidores, o que ajuda a visibilidade da candidatura gratuitamente. Obteve votação impressionante em Petrópolis na disputa para Deputado.

O rompimento da aliança local com o PSC e a fragmentação do PSL originário prejudicam muito a sua pré-candidatura, tanto do ponto de vista político quanto do financiamento eleitoral, levando em consideração que o PSL tinha o maior fundo do país. Depende agora da criação do partido Aliança pelo Brasil e de sua estruturação no município. O alto percentual de petropolitanos que apoiaram Bolsonaro garantem uma votação expressiva de candidatos escorados pelo Presidente. Além disso, Bolsonaro já deixou claro que a vitória em Petrópolis é uma prioridade e que apoiará pessoalmente a candidatura de Daniel Silveira. O crescimento da economia, a formação de uma nova onda eleitoral avassaladora e a polarização da disputa serão fatores fundamentais para a sua vitória.

Começa com um pote generoso, mas precisa ser habilidoso para queimar sua reserva de fichas no momento certo da contenda.

PSC – O governador Witzel já deixou claro que quer um nome não só para disputar, mas para ganhar a prefeitura de Petrópolis. O rompimento da aliança com o PSL abre espaço para um candidato próprio. O nome do Prof. Bernardo Santororo surge como o nome mais provável. O atual Presidente do partido vem montando forte nominata para a disputa da vereança, inclusive com a possível adesão da vereadora campeã de votos Gilda Beatriz, o que fortalece a base de sustentação da candidatura para Prefeito. As dificuldades, ou até a impossibilidade, de viabilização do partido Aliança pelo Brasil podem deixar o PSC como única alternativa de direita conservadora em Petrópolis, aumentando exponencialmente as chances de um candidato do partido. Se houver parceria ou fusão com o PSL originário o PSC ganhará o que lhe falta, um polpudo fundo eleitoral.

Apesar de ter perdido algumas mãos no início do jogo, ainda terá tempo para recompor suas fichas e ser o protagonista da mesa.

Yuri Moura – Junto com o PSL, o PSOL foi o partido que mais cresceu nacionalmente, guardadas as devidas proporções. Yuri obteve votação expressiva na última eleição para prefeito, mesmo contando com baixo investimento na campanha. O perfil conservador do eleitor petropolitano dificulta sobremaneira suas pretensões para uma candidatura majoritária. Apenas a ausência de participação de Rubens Bomtempo e a criação de uma ampla aliança de esquerda poderá viabilizar uma eventual possibilidade de segundo turno, fato difícil de ser concretizado, já que o PSOL não costuma costurar acordos políticos elásticos.
Somente conseguirá sair vitorioso se apostar em um all in. A demora para recuperar as fichas (capital político) em caso de nova derrota poderá convencê-lo a optar pela candidatura a vereador.

Paulo Mustrangi – Há quem diga que foi o melhor prefeito de Petrópolis, outros tantos que foi o pior. O auto-exílio político desagregou sua base de apoio dificultando a formação de um grupo que pudesse dar sustentação a uma candidatura majoritária. Se apresentar candidatura a vereador tem grandes chances de obter votação histórica que o conduza a um novo mandato como Presidente da Câmara Municipal. Apenas a ausência de Bomtempo na disputa pode reacender suas esperanças.
Ainda joga de forma conservadora, aguardando o erro dos colegas de mesa. A queda prematura de algum jogador poderá animá-lo para ousar mais nas mãos futuras.

Alternativas

Jamil Sabrá – Nome leve e preparado para assumir o cargo mais alto do Executivo. Sua formação técnica e as pautas temáticas que vem defendendo na Câmara são um diferencial que podem impulsionar a viabilidade de sua candidatura. A decisão de votar pela abertura de processo de cassação dos vereadores afastados Paulo Igor e Dudu demonstrou, na prática, sua preocupação com o combate à corrupção. É constantemente sondado por diversas forças políticas. Sua maior dificuldade será formar base de apoio consistente para reforçar suas chances.

Leandro Azevedo – Durante muito tempo foi o único vereador de oposição. Sua resiliência e combatividade o colocaram em posição de destaque. Vereador sério, preparado e competente. Vem realizando excelente trabalho na Câmara. Nome favorito de muitos políticos influentes na cidade. Peca, assim como Jamil, pela falta de estrutura de campanha.

Gilda Beatriz – Tem como maior qualidade (e maior defeito) conseguir obter enorme quantidade de votos praticamente sem o apoio de grupo político e com baixo investimento. Vereadora implacável na oposição e com raro talento político. Se conseguir flexibilizar suas posições intransigentes em prol de um projeto maior tem grandes chances em um pleito majoritário, mesmo levando em consideração seu passado como emedebista.

Observam o jogo da platéia, analisando as estratégias, erros e acertos dos jogadores, o que é uma grande vantagem no momento.

Outsiders

Alexandre Gurgel e Coronel Arnaldo Neto (o quarto coronel que poderá disputar a eleição para prefeito na história de Petrópolis) buscaram espaço em partidos já consolidados e com estrutura para disputar a eleição para Prefeito, mas não lograram êxito. Seguem agora tentando alavancar seus nomes através da criação de movimentos independentes ou patrocinando através das redes sociais a divulgação de suas ideias.

Ramon Mello projetou candidatura na eleição anterior, mas não conseguiu concretizar seu intento. É um bom nome para construção, com perfil de centro-direita moderada. O mesmo pode se dizer da candidatura da Professora Lívia, no espectro ideológico oposto. Resta saber se o processo tem espaço para este perfil específico.

Em um pleito aberto tudo pode acontecer, não sendo possível neste momento excluir nomes e estratégias diferenciadas. O fechamento da janela eleitoral determinará o vencedor do pré-turno eleitoral, ajudando a definir quem estará na oposição e na situação. A suposta participação de membro do Poder Judiciário na eleição poderá contribuir para embaralhar ainda mais as cartas.
Só o futuro dirá.